Página inicial > Antiguidade > Neoplatonismo (245-529 dC) > Plotino (204-270 dC) – Tratados Enéadas > Plotino - Tratado 1,9 (I,6,9) - A alma torna-se integralmente (...)

Enéadas

Plotino - Tratado 1,9 (I,6,9) - A alma torna-se integralmente luz

Enéada I, 6, 9

sábado 18 de setembro de 2021, por Cardoso de Castro

    

Baracat

9. E o que vê essa visão   interior  ? Recém-desperta, não pode ver completamente   as coisas radiantes [1]. É preciso, então, acostumar a própria alma   a ver primeiro as belas ocupações; em seguida, as belas obras, não essas que as artes realizam, mas as dos chamados homens bons; depois, vê tu a alma dos que realizam as belas obras [2]. Como verias o tipo de beleza que uma alma boa possui? Recolhe-te em ti mesmo e vê; e se ainda não te vires belo, como o escultor de uma estátua que deve tornar-se bela apara isso e corrige aquilo, pole aqui e limpa ali, até que exiba um belo semblante na estátua, assim apara também tu todo o supérfluo, alinha todo o tortuoso, limpa e faz reluzente todo o opaco e não cesses de moldar a estátua de ti mesmo [3], até que resplandeça em ti o esplendor deiforme da virtude  , até que vejas "a temperança assentada em sacra sede" [4].

Se te tomaste isso, e viste isso, e se puro te consocias contigo sem ter impedimento   algum a esse tipo de unificação e sem ter em teu interior algo alheio mesclado a ti, mas sendo tu inteiro luz verdadeira apenas, não medida por dimensão, não confinada à pequenez por um contorno, nem dilatada em dimensão através   da ilimitabilidade, mas imensurável totalmente, como maior que todo metro e mais que toda quantidade; se vês que tu te tornaste isso, já tornado visão, confiando em ti [5] e já aqui acima alçado, sem mais careceres de guia   [6], fixa o olhar e vê: pois esse é o único olho que vê a súpera beleza. Mas, se o olho se dirige à visão turvado pela maldade e não purificado, ou fraco, incapaz por falta de vigor de olhar as coisas completamente radiantes, ele nada vê, mesmo que outra pessoa   lhe mostre o que está presente   e pode ser visto. Pois, após ter-se o vidente feito congênere   e semelhante ao visto, ele deve lançar-se à contemplação  . Pois nenhum olho jamais veria o sol  , se não tivesse nascido soliforme [7], e a alma não veria o belo sem ter-se tornado bela. Portanto, que primeiro se torne todo deiforme e todo belo, se alguém pretende contemplar deus   e o belo. Pois, ao elevar-se  , chegará primeiro ao intelecto   e, lá, saberá que são belas todas as formas e afirmará que a beleza é isto, as ideias: tudo é belo por causa   delas, as filhas do intelecto e da essência  . Mas ao que está além disso chamamos a natureza do bem, que tem o belo anteposto diante de si. Assim, em um discurso impreciso, ele é a beleza primária; mas, se se distingue os inteligíveis, se dirá que a beleza inteligível é a região das formas [8], ao passo que o bem é o que está além, fonte   e princípio [9] do belo. Caso contrário, o bem e o belo primário seriam identificados; de qualquer modo, o belo está lá. [321]

Américo Sommerman

9. O que vê então esse olho interior? No momento de seu despertar   ainda não é capaz de olhar para o grande esplendor que está diante dele. Por isso, a alma precisa habituar-se primeiro a contemplar as belas ocupações, depois as belas obras, não as produzidas pelas artes, mas pelos homens de bem, e, por fim, precisa habituar-se a contemplar as almas daqueles que realizam belas obras.

Mas como é possível ser capazes de ver a beleza da alma boa? Volta o teu olhar para ti mesmo e olha. Se ainda não vires a beleza em ti, faça como o escultor de uma estátua que tem de ser tornada bela. Ele talha aqui, lixa ali, lustra acolá, torna um traço   mais fino, outro mais definido, até dar à sua estátua uma bela face. Como ele, tira o excesso  , remodela o que é oblíquo, clareia o que é sombrio e não cessa de trabalhar   a tua própria estátua até que o esplendor divino   da virtude se manifeste em ti, até que vejas a disciplina moral estabelecida num trono santo. Quando vieres que te tornastes isso e em tua interioridade tiveres uma relação   pura, sem obstáculo algum à tua unificação, sem que nada de exterior esteja misturado com o homem   verdadeiro; quando te encontrares totalmente verdadeiro para com a tua natureza essencial, apenas essa luz verdadeira que não tem dimensão ou forma mensuráveis espacialmente, nem pode ser circunscrita a uma forma, mas que é uma luz absolutamente imensurável, maior que toda medida e toda quantidade; quando te vires nesse estado  , então saberás que te tornaste numa potência viva e poderás confiar em ti mesmo, não tens mais necessidade   de um guia, pois embora ainda estando aqui [na Terra  ] ascendeste.

Fixe então o teu olhar e veja, pois esse é o único olho que vê a grande beleza. Mas se alguém chegar a essa visão ainda mergulhado no vício, sem ter se purificado, ou se for fraco e em sua covardia for incapaz de ver o maior dos esplendores, então nada vê, mesmo outra pessoa para ele o que está claramente diante dos seus olhos. Pois é necessário que o olhar se torne semelhante ao objeto que deve ser visto para ser capaz de contemplá-lo. Jamais um olho poderia contemplar o Sol se não fosse semelhante a ele e jamais uma alma poderia contemplar a Beleza primordial se antes não se tornasse bela.

Portanto, que todo aquele que quer contemplar a Deus e ao Belo se torne antes divino e belo. Tornando a subir, chegará primeiro à inteligência, verá que as Ideias são belas e reconhecerá que essa é beleza, que as ideias são belas, pois elas provém da Inteligência e do Ser. O que está para além da Beleza o chamamos de natureza do Bem, que irradia a Beleza de si mesmo  .

Numa fórmula sintética, diremos que o primeiro princípio é o Belo; mas se queremos dividir os inteligíveis, o Mundo das Ideias   constitui a beleza da esfera   inteligível, e o Bem, que está acima, é a origem e o princípio da Beleza. Do contrário, colocaríamos o Bem e Beleza primordial no mesmo nível. Em todo caso, a Beleza reside ali.

Igal

9 ¿Y qué es lo que ve aquella vista interior?

Recién despierta, no puede mirar del todo las cosas brillantes. Hay que acostumbrar, pues, al alma a mirar por sí misma, primero las ocupaciones bellas; después cuantas obras bellas realizan no las artes, sino los llamados varones buenos; a continuación, pon la vista en el alma de los que realizan las obras bellas. ¿Que cómo puedes ver la clase de belleza que posee un alma buena? Retírate a ti mismo y mira. Y si no te ves aún bello, entonces, como el escultor de una estatua que debe salir bella quita aquí, raspa allá, pule esto y limpia lo otro hasta que saca un rostro bello coronando la estatua, así tú también quita todo lo superfluo, alinea todo lo torcido, limpia y abrillanta todo lo oscuro y no ceses de «labrar» tu propia estatua hasta que se encienda en ti el divinal esplendor de la virtud, hasta que veas «a la morigeración asentada en un santo pedestal».

Si has llegado a ser esto, si has visto esto, si te juntaste limpio contigo mismo sin tener nada que te estorbe para llegar a ser uno   de ese modo y sin tener cosa ajena dentro de ti mezclada contigo, sino siendo tú mismo todo entero solamente luz verdadera no mensurada por una magnitud, ni circunscrita por una figura que la aminore ni, a la inversa, acrecentada en magnitud por ilimitación, sino absolutamente carente de toda medida como mayor que toda medida y superior a toda cuantidad; si te vieras a ti mismo transformado en esto, entonces, hecho ya visión, confiando en ti mismo y no teniendo ya necesidad del que te guiaba una vez subido ya aquí arriba, mira de hito en hito y ve. Éste es, en efecto, el único ojo que mira a la gran Belleza; pero si el ojo se acerca a la contemplación legañoso de vicios y no purificado, o bien endeble, no pudiendo por falta de energía mirar las cosas muy brillantes, no ve nada aun cuando otro le muestre presente lo que puede ser visto. Porque el vidente debe aplicarse a la contemplación no sin antes haberse hecho afín y parecido al objeto de la visión. Porque jamás todavía ojo alguno habría visto el sol, si no hubiera nacido parecido al sol. Pues tampoco puede un alma ver la Belleza sin haberse hecho bella.

Hágase, pues, primero todo deiforme y todo bello quien se disponga a contemplar a Dios y a la Belleza. Porque, en su subida, llegará primero a la Inteligencia, y allá sabrá que todas las Formas son bellas y dirá que la Belleza es esto: las Ideas, fundándose en que todas las cosas son bellas por éstas, por la progenie y sustancia de la Inteligencia. Mas a lo que está más allá de ésta, lo llamamos la naturaleza del Bien, que tiene antepuesta la Belleza por delante de ella. Así que, si se expresa imprecisamente, dirá que es la Belleza primaria; pero si distingue bien los inteligibles, dirá que la Belleza inteligible es la región de las Formas, pero que el Bien es lo que está más allá, fuente y principio de la Belleza, so pena   de identificar el Bien con la Belleza primaria. En todo caso, la Belleza está allá.

Bréhier

9. Que voit donc cet œil intérieur ? Dès son réveil, il ne peut bien voir les objets brillants. Il faut accoutumer l’âme elle-même à voir d’abord les belles occupations , puis les belles œuvres, non pas celles que les arts exécutent, mais celles des hommes de bien. Puis il faut voir l’âme de ceux qui accomplissent de belles œuvres. Comment peut-on voir cette beauté de l’âme bonne ? Reviens en toi-même et regarde : si tu ne vois pas encore la beauté en toi, fais comme le sculpteur d’une statue qui doit devenir belle ; il enlève une partie, il gratte, il polit, il essuie jusqu’à ce qu’il dégage de belles lignes dans le marbre ; comme lui, enlève le superflu, redresse ce qui est oblique, nettoie ce qui est sombre pour le rendre brillant, et ne cesse pas de sculpter ta propre statue, jusqu’à ce que l’éclat divin de la vertu se manifeste, jusqu’à ce que tu voies la tempérance siégeant sur un trône sacré. Es-tu devenu cela ? Est-ce que tu vois cela ? Est-ce que tu as avec toi-même un commerce pur, sans aucun obstacle à ton unification, sans que rien d’autre soit mélangé intérieurement avec toi-même ? Es-tu tout entier une lumière véritable, non pas une lumière de dimension ou de forme mesurables qui peut diminuer ou augmenter indéfiniment de grandeur, mais une lumière absolument sans mesure, parce qu’elle est supérieure à toute mesure et à toute quantité ? Te vois-tu dans cet état ? Tu es alors devenu une vision ; aie confiance en toi ; même en restant ici, tu as monté ; et tu n’as plus besoin de guide ; fixe ton regard et vois. Car c’est le seul œil qui voit la grande beauté. Mais s’il vient à contempler avec les chassies du vice sans être nettoyé, ou s’il est faible, il a trop peu d’énergie pour voir les objets très brillants, et il ne voit rien, même si on le met en présence d’un objet qui peut être vu. Car il faut que l’œil se rendre pareil et semblable à l’objet vu pour s’appliquer à le contempler. Jamais un œil ne verrait le soleil sans être devenu semblable au soleil, ni une âme ne verrait le beau sans être belle. Que tout être devienne donc d’abord divin et beau, s’il veut contempler Dieu et le Beau. En remontant, il ira   d’abord jusqu’à l’Intelligence, et il saura que, en elle, toutes les idées sont belles ; et il prononcera que c’est là la beauté [à savoir les idées. Par celles-ci, qui sont les produits et l’être même de l’intelligence, existent toutes les beautés]. Ce qui est au-delà de la beauté, nous l’appelons la nature du Bien ; et le Beau est placé au devant d’elle. Ainsi, dans une formule d’ensemble, on dira que le premier principe est le Beau ; mais, si l’on veut diviser les intelligibles, il faudra distinguer le Beau, qui est le lieu des idées, du Bien qui et au-delà du Beau et qui en est la source et le principe. Sinon, on commencerait par faire du Bien et du Beau un seul et même principe. En tout cas, le Beau est dans l’intelligible.

Guthrie

HOW TO TRAIN THIS INTERIOR VISION.

9. But how shall we train this interior vision ? At the moment of its (first) awakening, it cannot contemplate beauties too dazzling. Your soul must then first be accustomed to contemplate the noblest occupations of man, and then the beautiful deeds, not indeed those performed by artists, but those (good deeds) done by virtuous men. Later contemplate the souls of those who perform these beautiful actions. Nevertheless, how will you discover the beauty which their excellent soul possesses? Withdraw within yourself, and examine yourself. If you do not yet therein discover beauty, do as the artist, who cuts off, polishes, purifies until he has adorned his statue with all the marks of beauty. Remove from your soul, therefore, all that is superfluous, straighten out all that is crooked, purify and illuminate what is obscure, and do not cease perfecting your statue until the divine resplendence of virtue shines forth upon your sight, until you see temperance in its holy purity seated in your breast. When you shall have acquired this perfection; when you will see it in yourself; when you will purely dwell within yourself; when you will cease to meet within yourself any obstacle to unity; when nothing foreign will any more, by its admixture, alter the simplicity of your interior essence; when within your whole being you will be a veritable light, immeasurable in size, uncircumscribed by any figure within narrow boundaries, unincreasable because reaching out to infinity, and entirely incommensurable because it transcends all measure and quantity; when you shall have become such, then, having become sight itself, you may have confidence in yourself, for you will no longer need any guide. Then must you observe carefully, for it is only by the eye that then will open itself within you that you will be able to perceive supreme Beauty. But if you try to fix on it an eye soiled by vice, an eye that is impure, or weak, so as not to be able to support the splendor of so brilliant an object, that eye will see nothing, not even if it were shown a sight easy to grasp. The organ of vision will first have to be rendered analogous and similar to the object it is to contemplate. Never would the eye have seen the sun unless first it had assumed its form; likewise, the soul could never see beauty, unless she herself first became beautiful. To obtain the view of the beautiful, and of the divinity, every man must begin by rendering himself beautiful and divine.

THE LANDMARKS OF THE PATH TO ECSTASY.

Thus he will first rise to intelligence, and he will there contemplate beauty, and declare that all this beauty resides in the Ideas. Indeed, in them everything is beautiful, because they are the daughters and the very essence of Intelligence.

Above intelligence, he will meet Him whom we call the nature of the Good, and who causes beauty to radiate around Him; so that, to repeat, the first thing that is met is beauty. If a distinction is to be established among the intelligibles, we might say that intelligible beauty is the locus   of ideas, and that the Good, which is located above the Beautiful, is its source and principle. If, however, we desire to locate the Good and the Beautiful within one single principle, we might regard this one principle first as Good, and only afterwards, as Beauty.

MacKenna

9. And this inner vision, what is its operation?

Newly awakened it is all too feeble to bear the ultimate splendour. Therefore the Soul must be trained- to the habit of remarking, first, all noble pursuits, then the works of beauty produced not by the labour of the arts but by the virtue of men known for their goodness: lastly, you must search the souls of those that have shaped these beautiful forms.

But how are you to see into a virtuous soul and know its loveliness?

Withdraw into yourself and look. And if you do not find yourself beautiful yet, act as does the creator of a statue that is to be made beautiful: he cuts away here, he smoothes there, he makes this line lighter, this other purer, until a lovely face has grown upon his work. So do you also: cut away all that is excessive, straighten all that is crooked, bring light to all that is overcast, labour to make all one glow of beauty and never cease chiselling your statue, until there shall shine out on you from it the godlike   splendour of virtue, until you shall see the perfect goodness surely established in the stainless shrine.

When you know that you have become this perfect work, when you are self-gathered in the purity of your being, nothing now remaining that can shatter that inner unity, nothing from without clinging to the authentic man, when you find yourself wholly true to your essential nature, wholly that only veritable Light which is not measured by space, not narrowed to any circumscribed form nor again diffused as a thing void of term, but ever unmeasurable as something greater than all measure and more than all quantity- when you perceive that you have grown to this, you are now become very vision: now call up all your confidence, strike forward yet a step- you need a guide no longer- strain, and see.

This is the only eye that sees the mighty Beauty. If the eye that adventures the vision be dimmed by vice, impure, or weak, and unable in its cowardly blenching to see the uttermost brightness, then it sees nothing even though another point to what lies plain to sight before it. To any vision must be brought an eye adapted to what is to be seen, and having some likeness to it. Never did eye see the sun unless it had first become sunlike, and never can the soul have vision of the First Beauty unless itself be beautiful.

Therefore, first let each become godlike and each beautiful who cares to see God and Beauty. So, mounting, the Soul will come first to the Intellectual-Principle and survey all the beautiful Ideas in the Supreme and will avow that this is Beauty, that the Ideas are Beauty. For by their efficacy comes all Beauty else, but the offspring and essence of the Intellectual-Being. What is beyond the Intellectual-Principle we affirm to be the nature of Good radiating Beauty before it. So that, treating the Intellectual-Kosmos as one, the first is the Beautiful: if we make distinction there, the Realm of Ideas constitutes the Beauty of the Intellectual Sphere; and The Good, which lies beyond, is the Fountain at once and Principle of Beauty: the Primal   Good and the Primal Beauty have the one dwelling-place and, thus, always, Beauty’s seat is There.

Taylor

[IX] What is it then this inward eye beholds? Indeed, suddenly raised to intellectual vision, it cannot perceive an object exceeding bright. The soul must therefore be first accustomed to contemplate fair studies, and then beautiful works; not such as arise from the operations of art, but such as are the offspring of worthy men: and next to this, it is necessary to view the soul which is the parent of this lovely race. But you will ask, after what manner is this beauty of a worthy soul to be perceived? It is thus. Recall your thoughts inward, and if, while contemplating yourself, you do not perceive yourself beautiful, imitate the statuary; who, when he desires a beautiful statue, cuts away what is superfluous, smooths and polishes what is rough, and never desists until he has given it all the beauty his art is able to effect. In this manner must you proceed, by lopping what is luxuriant, directing what is oblique, and, by purgation, illustrating what is obscure; and thus continue to polish and beautify your statue, until the divine splendour of Virtue shines upon you, and Temperance, seated in pure and holy majesty, rises to your view. If you become thus purified, residing in yourself, and having nothing any longer to impede this unity of mind, and no farther mixture to be found within, but perceiving your whole self to be a true light, and light alone; a light which, though immense, is not measured by any magnitude, nor limited by any circumscribing figure, but is every where immeasurable, as being greater than every measure, and more excellent than every quantity: if, perceiving yourself thus improved, and trusting solely to yourself, as no longer requiring a guide, fix now steadfastly your mental view, for with the intellectual eye alone, can such immense beauty be perceived. But, if your eye is yet infected with any sordid concern, and not thoroughly refined, while it is on the stretch to behold this most shining spectacle, it will be immediately darkened and incapable of intuition  , though some one should declare the spectacle present, which it might be otherwise able to discern. For, it is here necessary, that the perceiver and the thing perceived, should be similar to each other, before true vision can exist. Thus the sensitive eye, can never be able to survey the orb of the sun, unless strongly endued with solar fire, and participating largely of the vivid ray. Every one, therefore, must become divine, and of godlike beauty, before he can gaze upon a god, and the beautiful itself. Thus proceeding in the right way of beauty, he will first ascend into the region of intellect, contemplating every fair species, the beauty of which he will perceive to be no other than ideas themselves; for all things are beautiful by the supervening irradiations of these, because they are the offspring and essence of intellect. But that which is superior to these, is no other than the fountain of good, every where widely diffusing around the streams of beauty, and hence, in discourse, called the beautiful itself; because, beauty is its immediate offspring. But, if you accurately distinguish the intelligible objects, you will call the beautiful the receptacle of ideas; but the good itself, which is superior, the fountain and principle of the beautiful; or, you may place the first beautiful and the good in the same principle, independent of the beauty which there subsists.


Ver online : Vida de Plotino - Enéadas I-II


Para uma das versões em português: BARACAT JÚNIOR, José Carlos. Plotino, Enéadas I, II e III; Porfírio, Vida de Plotino. Introdução, tradução e notas. Tese de Doutorado. Campinas, UNICAMP, 2006


[1Cf. Platão, República 515 e-516 a.

[2Cf. Platão, Banquete, 210 b-c.

[3Cf. Platão, Fedro 252 d 7.

[4Platão, Fedro 254 b 7.

[5Cf. Platão, Teeteto 148 c 9.

[6Platão, Carta VII 341 a 6.

[7Cf. Platão, República 508 b 3,509 a 1.

[8Cf. Platao, República 517 b 5.

[9Cf. Platão, Pedro 245 c 9.