Página inicial > Antiguidade > Platão (V-IV aC) > Platão - A República > Platão - A República (estrutura segundo Annas)

A REPÚBLICA

Platão - A República (estrutura segundo Annas)

Estrutura da obra

sexta-feira 17 de setembro de 2021, por Cardoso de Castro

Estrutura-resumo baseada no livro ANNAS, Julia. Introduction à la "République  " de Platon  . Paris: PUF, 1994, p. 451-466

PREÂMBULO

PREÂMBULO (LIVRO I): CRÍTICA DAS IDEIAS ADMITIDAS SOBRE A JUSTIÇA

  • Introdução: Sócrates   e Céfalo (I, 327a-331d)
    • Sócrates   na festa de Bendidios
      • Conversação com o velho Céfalo sobre os incômodos da velhice
      • O bem supremo que busca a fortuna é de não ser tentado a ser desonesto
    • Mas (primeira opinião sobre a justiça, Céfalo): a justiça consiste em "dizer a verdade e pagar suas dívidas"?
  • A) Crítica das definições correntes da justiça (331e-336a)
    • Primeira definição (Simonide, por generalização daquela de Céfalo): "dar a cada um aquilo que a ele se deve"
    • Segunda definição (aditamento à precedente): "fazer o bem a seus amigos e o mal a seus inimigos"
      • Primeira crítica (analogia justiça/arte): todas as técnicas são mais úteis que a justiça
      • Segunda crítica (analogia justiça/arte): o homem que sabe ser justo sabe também ser o mais injusto
      • Terceira crítica: quem são os verdadeiros amigos e os verdadeiros inimigos?
    • Terceira definição: fazer o bem ao amigo e o mal ao inimigo mau
      • Crítica: fazer o mal aos maus os torna piores; o homem justo não deve fazer o mal a ninguém
  • B) Discussão da tese de Trasímaco: Trasímaco intervém, revoltado contra o método seguido (336b-fim)
    • 1. Exposição e crítica da tese sofística: a justiça é o interesse do mais forte (336b-347e)
      • Exposição da tese
      • Primeira tentativa de refutação:
        • Aquilo que os fortes instituem nem sempre é para eles vantajoso
        • Réplica: o forte só é forte enquanto não se engana sobre sua vantagem
      • Segunda tentativa de refutação
        • Toda técnica é feita para vantagem daquilo que sobre o qual ela se exercita e que ela domina
        • Réplica
          • Toda técnica busca a vantagem daquele que a exercita e redesenvolvimento da tese
          • A injustiça é mais forte e mais livre que a justiça
      • Terceira refutação
        • Réplica
          • Distinção da função das artes enquanto artes e das vantagens buscadas por aqueles que as exercem
          • Donde: a arte de governar se propõe para o bem dos governados
    • 2. A injustiça é mais lucrativa que a justiça? (347e-354c)
      • Trasímaco classifica a injustiça junto com a virtude e a sabedoria
      • Primeira refutação
        • A justiça é mais bela que a injustiça. O justo a conduz sobre seu contrário apenas, ele portanto sábio e bom. Intermezzo.
      • Segunda refutação
        • A justiça é mais forte; a injustiça impede os homens de agir em concerto
      • Terceira refutação
        • O injusto não é mais feliz que o justo: cada coisa tem sua virtude própria; a função da alma é de governar; sua virtude é a justiça; o homem justo vive portanto melhor que o injusto
  • Conclusão (aporética)
    • Buscou-se qualificar a justiça – a saber se ela é uma virtude ou se ela é vantajosa – sem conhecer sua essência. – [FIM DO LIVRO I]

PARTE I

PARTE I (LIVROS II-IV): O QUE É A JUSTIÇA NO ESTADO E NO INDIVÍDUO?

  • Introdução metodológica: o desafio lançado por Sócrates   e seu método para observá-lo (II, 357a-369b)
    • Sócrates   classifica a justiça entre as coisas que nós achamos desejáveis nelas mesmas e por suas consequências
    • Retomada, para relançar a discussão, da tese de Thrasymacopor Glaucon e Adimante:
      • Glaucon: Ninguém, se está seguro da impunidade, resistirá à tentação de cometer a injustiça (lenda do anel de Gyges)
      • Adimante: O que importa não de ser justo mas de parecê-lo, tanto aos olhos dos homens como dos deuses
      • Donde o desafio lançado a Sócrates  : mostrar que a justiça é boa para seu possuidor
        • Método proposto por Sócrates   para a isto responder: antes de considerar aquilo que é mais vantajoso, é preciso saber o que é a justiça. Sócrates   propõe buscá-la então no Estado (polis), cuja estrutura é análoga àquela da alma individual
  • A) Gênese e desenvolvimento do Estado (II, 369b-374e)
    • A necessidade está na origem do Estado: ninguém se basta a si mesmo; as necessidades fundamentais (nutrição, habitação, vestimenta, etc.)
    • O princípio da divisão natural do trabalho que dela resulta e sua consequências
    • O aumento das necessidades além do necessário e suas consequências: doenças e guerras. Daí, a necessidade de "Guardiões" . Necessidade (segundo o Princípio da Especialização), que os Guardiões têm qualidade próprias que lhes permitem exercer sua tarefa.
  • B) Condições requeridas para ser guardião do Estado (II, 374e-III, 412c)
    • 1. Qualidades naturais dos Guardiões: Aliança de duas qualidades opostas: a ferocidade (para com o inimigo) e a doçura (para com o amigo)
    • 2. Primeira educação dos Guardiões
      • a) A educação artística
        • O conteúdo das fábulas:
          • Deve-se banir da educação todas as histórias falsas concernente os deuses (notadamente a ideia que a divindade é causa do mal, ou que ela é modificante ou enganosa. – FIM DO LIVRO II
          • Deve-se banir da educação todas as fábulas que fazem temer a morte (deve-se com efeito desenvolver a coragem) e de uma maneira geral tudo que é mentiroso
          • Somente os chefes de Estado têm o direito de mentir no interesse do Estado
        • A dicção das fábulas:
          • A dicção é simples e não imitativa
          • Em geral (segundo o Princípio de Especialização), deve-se banir toda prática de imitação
        • A música
          • Ela obedece aos mesmo princípios que a poesia
        • Conclusão sobre a educação artística
          • Correspondência entre a beleza e a harmonia musical e seus efeitos sobre a alma
      • A educação física, seus princípios e suas metas
        • A ginástica obedece ao mesmo princípio que a educação artística (a simplicidade) e tem por meta produzir a saúde.
        • Em consequência, a tarefa dos médicos e aquela dos juízes é de manter a saúde ou a justiça (mais do que restaurá-las). Quais são os melhores médicos e os melhores juízes.
        • A ginástica deve desenvolver as qualidades morais mais do que as físicas. Papéis respectivos da educação artística e física para este fim
  • C) A escolha dos governantes (III, 412c-415d)
    • Os melhores dos Guardiões serão governantes e receberão uma educação suplementar. A escolha será feita entre os mais devotados aos serviço do Estado. A seleção será feita por provas (sofrimentos, perigos, prazeres)
    • A fim de persuadir os cidadãos de sua comunidade de interesses, deve-se contá-los uma "nobre mentira" segundo a qual eles são todos irmãos nascidos da terra, naturalmente divididos em três raças (de ouro, de prata e de bronze) das quais só a primeira é apta ao mandamento.
  • D) As condições de vida dos Guardiões (III, 415d-IV, 421c)
    • Os Guardiões devem escolher um sítio conveniente para a Cidade
    • Eles devem viver o despojamento (regime, habitação) e não terão propriedade privada.
    • Eles serão felizes, não de uma felicidade de privilégios, mas porque sua vida corresponde a sua natureza e que eles contribuem à felicidade do Estado como um todo. – FIM DO LIVRO III
  • E) Os deveres dos Guardiões (IV, 421c-427c)
    • Deve-se preservar o Estado do enriquecimento ou do empobrecimento excessivos, causas de enfraquecimento
    • Deve-se preservar a unidade do Estado impedindo-o de crescer e defender os princípios de divisão do trabalho e de mobilidade social
    • Deve-se sobretudo preservar um sistema estável de educação, uma legislação geral (notadamente no domínio religioso)
  • Conclusão da parte I: a justiça no Estado e no indivíduo (IV, 427c-445e)
    • No Estado
      • O Estado assim fundado é:
        • sábio por sua cabeça (os governantes dão prova de "prudência"na sua função deliberativa)
        • corajoso por seus guerreiros (os "Auxiliares")
        • moderado (mestre de si) pelo acordo que reina entre as classes (o melhor comando o pior)
      • O Estado portanto é justo: cada um aí cumpre sua função própria
    • No indivíduo
      • A justiça no indivíduo deve ser análoga àquela do Estado
      • Donde: as partes da alma: assim como há três classes no Estado (governantes, guerreiros, trabalhadores e artesãos), correspondendo a três funções, há três partes na alma: a "razão, o ardor, e o desejo (436a-441c)
      • As virtudes da alma: as partes da alma podem entrar em conflito mas também estar em harmonia, no indivíduo justo, quando cada uma faz somente sua própria tarefa sem transbordar sobre aquela das outras: quando a razão comanda sobre a alma inteira, e que o ardor a segue nesta tarefa, e que os desejos obedecem, a alma é justa; explicação paralela das outras virtudes (coragem, sabedoria, moderação)
      • Da mesma maneira a injustiça não é, mais que a injustiça, um comportamento a respeito dos outros, mas uma desordem (desacordo) interior da alma, uma doença da alma arruinadora para aquele mesmo que dela é atingido.
      • Restam a estudar, as diferentes formas do vício (no Estado e no indivíduo) – cujo estudo só começará no final do livro VIII. – FIM DO LIVRO IV

PARTE II

PARTE II (LIVROS V-VIII): CONDIÇÕES PARA REALIZAR A JUSTIÇA ASSIM DEFINIDA

  • A) Primeira condição: Igualdade dos homens e das mulheres (V 451c-457c)
    • Esta igualdade concerne tanto as funções públicas quanto a educação pois a diferença sexual não implica nenhuma diferença de atitude. As mulheres poderão ser Guardiães, guerreiras, filósofas.
  • B) Segunda condição: Comunidade de mulheres e de crianças nos guerreiros (V, 457c-471c)
    • Principais vantagens da abolição da família
      • o eugenismo (controle do número de uniões e seleção dos melhores casamentos pelo Estado, sorteios eventualmente falsificados) por um lado
      • a educação pelo Estado das crianças (fora da vista de seus pais) depois de seu nascimento (infanticidas eventuais), por outro lado, garantem a melhor sociedade possível, sem propriedade privada de nenhuma espécie, e logo sem dissensão, entre Guardiões, e por conseguinte entre cidadãos
      • a educação das crianças deve em particular as associar para a guerra, para a qual devem ser instituídas recompensas e punições e na qual se fará uma distinção clara entre gregos (que não se deverá reduzir à escravidão) e não-gregos
    • Transição: o Estado descrito até o presente – que é incontestavelmente justo – é realizável? – não o será a não ser quando a terceira condição será realizada
  • C) Terceira condição: o filósofo Rei (V, 473c até o fim do L7)
    • Dito de outra forma: o Estado justo só realizável se os filósofos se tornam governantes ou se os governantes se tornam filósofos
    • 1 O que é um filósofo? (V, 474d - VI, 488a)
      • Primeira definição: um "apaixonado da sabedoria" (ou "amigo do saber" philo  -sophia)
        • Objeção: esta definição confunde o filósofo e o curioso ( o amador de espetáculos)
      • Segunda definição: o filósofo é aquele que só ama o espetáculo da verdade
        • É preciso distinguir por um lado as Formas reais (eide) – por exemplo o justo e o injusto, o belo e o feio – e suas aparências múltiplas; e por outro lado, o conhecimento das realidades existentes e a opinião (intermediário entre conhecimento e ignorância) que se tem sobre as aparências (intermediária entre ser e não-ser)
        • o conhecimento é infalível, a opinião, a opinião pode ser verdadeira ou falsa
        • As Formas e isto que é: o conhecimento porta sobre objetos únicos e imutáveis (sempre F  ), a opinião sobre objetos múltiplos e mutáveis, as vezes F   as vezes não-F  . – FIM DO LIVRO V
      • Consequência da definição: O filósofo é o mais apto a governar; de sua essência (amar a realidade, toda a realidade, nada mais que a realidade) se deduzem com efeito todas as suas outras virtudes
        • Estas virtudes são: a sinceridade, a moderação, a grandeza d’alma, a coragem, a justiça, a doçura, a facilidade de aprender, a memória, a medida.
        • Objeção de fato: os filósofos parecem bem incapazes de governar
    • 2 As razões da má reputação dos filósofos (VI, 488a-497a)
      • Os verdadeiros filósofos não são inúteis; é o Estado que não os utiliza
      • A maior parte dos filósofos naturais são pervertidos pelo meio e sua educação, pela opinião da multidão enganada pelos "sofistas" que usurpam o nome de "filósofos"
      • É impossível que o povo seja filósofo e necessário, nos Estados existentes, que ele critique as naturezas filosóficas até perverte-las. Nenhuma Estado é adaptado à filosofia, nenhuma filosofia é adaptada à vida política
    • 3 No entanto, o governo dos filósofos não é impossível (VI, 487a-502c)
      • A multidão pode ser conciliada com o governo dos filósofos se se pode faze-la ver o que o amor da sabedoria significa e que somente ele é capaz de tornar feliz um Estado
    • 4 O essencial: a educação a dar aos governantes (VI 502c - VII)
      • Nota: Toda esta parte é consagrada à educação superior que devem receber os governantes (entre 20 e 35 anos) depois de sua formação inicial descrita acima
      • Lembrança da seleção operada e da educação já recebida
      • a) O objetivo a alcançar: o Bem
        • O objetivo supremo da educação dos guardiões é de conduzi-los a conhecer o Bem; rejeição da concepção popular do Bem como prazer mais dificuldade a defini-lo. É preciso proceder por imagens:
          • Primeira imagem: o Bem é no mundo inteligível o que o Sol é no mundo visível
          • Segunda imagem: A seção da linha: os quatro objetos e os modos de conhecimento que a aí se relacionam – FIM DO LIVRO VI
          • Terceira imagem: A alegoria da caverna (VII, 514a-518b)
            • Representação de nossa natureza se ela não é esclarecida pela educação: a situação inicial na Caverna; a formação (impedimento da liberação) e suas etapas até a visão do sol; a redescida na caverna. Interpretação da imagem (Caverna = mundo visível; fogo = sol)
            • O objetivo da educação é de voltar o olho da alma para a ideia do Bem
            • É preciso voltar as boas naturezas em direção deste objetivo e força-las em seguida a "redescer" para governar os outros
      • b) Os meios da educação: as cinco ciências propedêuticas
        • Insuficiência da formação recebida (ginástica e música) e das artes para alcançar o objetivo
        • Primeira ciência necessária, a ciência dos números, a aritmética, "ciência geral, que serve a todas as artes, a todas as ciências e a todas as operações intelectuais"; distinção entre os objetos que incitam à reflexão – aqueles que produzem a contradição – e aqueles que não a incitam; distinção entre dois usos da aritmética, um propedêutico à intelecção, outro puramente utilitário
        • Segunda ciência necessária, a geometria plana, ciência das figuras; distinção entre uso ordinário da geometria e seu uso propedêutico ao conhecimento
        • Terceira ciência, a esteriometria, ciência dos sólidos, ainda incoativa
        • Quarta ciência, a astronomia e seu verdadeiro método
        • Quinta ciência, a harmonia e seu verdadeiro método
      • c) O termo da educação: a dialética
        • A meta final é a dialética, que tem por objeto o conhecimento da essência de cada ser e por termo o conhecimento do Bem
        • A seleção dos futuros dialéticos: suas qualidades naturais
        • A seleção dos futuros dialéticos: triagens sucessivas
        • Perigos da dialética mal praticada ou reduzida a um simples jogo
        • Depois da prática da dialética, redescida na caverna e ocupação de postos públicos durante quinze anos, para os melhores, contemplação do Bem; depois do que, compartilhamento do tempo entre filosofia e comando político
        • [Relembrar o ciclo completo: até os 18 anos, «literatura» e música (e matemáticas elementares); de 18 aos 20 anos: treinamento físico e militar intensivo; de 20 a 30 anos, depois da seleção: ciclo completo das ciências matemáticas; de 30 a 35 anos, depois de outra seleção: dialética; de 35 a 50 anos, serviço público; depois dos 50 anos, para os melhores, contemplação e ação política.]
  • Conclusão da parte II
    • A realização do Estado justo é possível se se pões na cabeça do Estado filósofos assim formados – FIM DO LIVRO VII

PARTE III

PARTE III (LIVROS VIII-X): A INJUSTIÇA NO ESTADO E NO INDIVÍDUO

  • A) A corrupção do Estado ideal e suas formas
    • 1 A queda do Estado ideal
      • Relembrar os traços principais da constituição ideal (monárquica ou aristocrática segundo se tenha um ou mais filósofos na sua cabeça). Causas da corrupção: tudo que vem a ser é corruptível; por decorrência de casamentos a contratempo organizados pelos chefes, não há mais "filósofos naturais". Relembrar as quatro formas defeituosas. Princípio da correspondência entre formas de constituição e tipos de homens
    • 2 A timocracia (governo da honra)
      • Conserva numerosos traços da constituição ideal mas prefere as naturezas soldadescas aos filósofos para estar na cabeça do Estado. Governantes e Guardiões, ávidos de riquezas, se apropriam dos bens dos artesãos e agricultores que se tornam seus servos
      • O homem timocrático, governado pela ambição, a paixão da glória e das honras; capaz de apreciar a cultura, mas não de criá-la, duro para os escravos, doce com seus pares
    • 3 A oligarquia
      • O enriquecimento de uns e a inveja dos outros fazem passar da timocracia à oligarquia. O poder vai então para os ricos e a cidade se divide em dois, ricos e pobres, sempre em luta. O abismo entre ricos e pobres só faz se agravar: impotência crescente da minoria privilegiada; os pobres se tornam mais e mais perigosos para o Estado que deve tratá-los pela força
      • O homem oligárquico é inteiramente dominado por seu desejo de se enriquecer, que não recalca a não ser pelo medo dos desejos nocivos
    • 4 A democracia
      • Os pobres se revoltam na primeira ocasião contra os ricos tão nulos. Daí a democracia, mosaico de todos os regimes possíveis. Regime de "liberdade" total, de bom prazer, ninguém está em comando ou em obediência
      • O homem democrático satisfaz todos seus desejos; distinção dos desejos necessários, reagrupando os desejos indispensáveis e úteis, e desejos supérfluos; o homem democrático os satisfaz a todos, ao azar, sem discernimento, e faz sucessivamente um pouco de tudo
    • 5 A tirania
      • O excesso de liberdade e desprezo das leis   fazem passar da democracia à tirania: passa-se de um extremo (a liberalidade) ao outro (a servidão). O povo escolhe para defendê-lo dos ricos um homem a que concede todos os poderes e uma guarda pessoal. O tirano cresce este exército e a redireciona contra o povo. – FIM DO LIVRO VIII
      • O homem tirânico é dominado pelo desejos desregrados (aqueles que se manifestam no sono, a loucura ou sob o império da bebida). Ele é ele mesmo tiranizado por seus desejos eróticos e extermina tudo o que lhe faz obstáculo; a vida criminal do homem tirânico.
  • B) Quem , do homem justo ou injusto (do filósofo ou do tirano) é o mais feliz?
    • Primeira prova, política: se o indivíduo se assemelha a um cidade (analogia entre a estrutura da alma e aquela do Estado), o homem tirânico é ele mesmo tiranizado por seus desejos e seus medos, que são mestres dele; ele é o menos livre (ele está sob o império de suas paixões); ele é o menos rico (ninguém é rico cujos desejos não podem ser jamais satisfeitos), o menos em segurança (vive no medo);
      ele é então o mais infeliz
    • Segunda prova, psicológica: a comparar as duas vias a respeito do prazer, o melhor juiz é o filósofo, único a ter feito a experiência do prazeres particulares às três partes da alma, que têm cada uma sues desejos próprios
    • Terceira prova, filosófica: os prazeres os mais sensuais são impuros, pois eles são ilusoriamente exagerados pelo sofrimento dos quais procedem; as satisfações intelectuais são puras e também mais reais (na proporção da realidades de seus objetos). O tirano, acorrentados aos desejos os mais baixos, é o mais afastado dos prazeres puros e reais acessíveis unicamente ao filósofo
    • Conclusão (e resposta final à afirmação inicial de Glaucon (360e), segundo a qual a injustiça é vantajosa, se ela não é punida): o homem, forma única que recobre três figuras, a de um monstro de cabeças múltiplas, a de um leão e de um homem; a honestidade submete a parte bestial à parte humana (ou divina) e a desonestidade submete a parte doce à parte selvagem; o sábio realiza nele a Cidade ideal. – FIM DO LIVRO IX
  • C) A má educação pelas artes de ilusão como causa da injustiça
    • 1 Como a representação, na arte, está ligada à realidade
      • A imitação: os três leitos (o leito pintado, o leito particular, a ideia de leito) e seus três artesãos (o pintor, o marceneiro e o deus). A imitação distanciada da realidade dos três graus.
      • A poesia, notadamente homérica, ignora aquilo de que fala. O poeta, e em particular Homero  , não pode em nenhum caso ser o educador da humanidade
      • Pintura e poesia, artes de ilusão. Elas imitam não a realidade ela mesma mas sua aparência.
    • 2 A poesia dramática: seu mecanismo e seus conflitos
      • Tragédia e comédia fazem apelo às emoções, deformadoras do real, não à razão, objetiva
    • 3 Terceira acusação contra a poesia
      • Efeitos perniciosos da tragédia e da comédia sobre o caráter. É preciso portanto se manter em guarda contra Homero   e os poetas

CONCLUSÃO GERAL SOBRE O PROBLEMA DA JUSTIÇA

  • 1 A imortalidade da alma (608c-612a)
    • Demonstração da imortalidade da alma: toda coisa que possui em si um mal tende a ser destruída; inversamente sua excelência própria a preserva. Se uma coisa não é destruída por seu vício de constituição interna, nada o pode. Assim a doença acaba por destruir o corpo. Mas posto que a injustiça – mal interno – não pode vencer a alma, nada – de externo – não o pode.
    • É preciso considerar que a verdadeira natureza da alma aparece quando ela está destacada do corpo e se associa então livremente a seus objetos próprios
  • 2 Recompensas da justiça, durante esta vida, da parte dos deuses (612a-614a)
  • 3 Recompensas da justiça após a morte: Mito de Er o Pamphyliano (mito da escolha do destino) (614a até o fim)
    • Er, morto em uma batalha, retorna à vida e relata o que viu no além. As almas, julgadas, e punidas ou recompensadas na proporção de sua conduta sobre a terra.
    • Estrutura do mundo
    • Antes de renascer à vida mortal, as almas devem, em uma ordem fortuita, escolher o gênero de vida ao qual elas serão em seguida ligadas necessariamente: "cada um é responsável de sua escolha, o deus está fora de causa". Descrição da escolha das vidas pelas almas, aí incluso aquelas dos animais, em geral segundo os hábitos de sua vida anterior. Em seguida depois de ter bebido a água da planície de Lethe para tudo esquecer elas renascem à vida.
    • Praticando a justiça, estaremos em paz com nós mesmo e com os deuse e seremos felizes sobre esta terra e sempre.


Ver online : An Introduction to Plato’s Republic