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Poema de Parmênides

Parmênides – Poema - Proêmio

Versões

terça-feira 16 de novembro de 2021

Algumas traduções do início do Poema de Parmênides

EUDORO DE SOUSA

1. As éguas que me tiram tão longe quanto o desejo? alcance, escoltavam-me, guiando elas, quando me enviaramc | puseram na via no celebrado caminho da divindade | o caminho que a divindade percorre, | que por (sobre) todas as cidades conduz o homem? vidente (sapiente). Por ele me conduziam, por ele me levaram os habilíssimos corcéis, tirando o carro, e donzelas à frente iam mostrando o caminho. O eixo, deflagrando nos cubos, despedia o som estrídulo da síringe — pois, de ambos os lados era movido pelo turbilhão das rodas — enquanto as filhas do Sol? se apressavam em (nos) conduzir, tendo deixado, direito? à luz?, as moradas da Noite, e com as mãos da cabeça removendo seus véus. Ali se encontram os portais dos caminhos do dia e da noite; em cima e em baixo são mantidos por um lintel e um umbral de pedra; eles próprios, os etéreos portais, estão cobertos de batentes, dos quais a Dike? vingadora possui as chaves cambiantes. Com brandas palavras?, as donzelas persuadiram-na que velozmente dos portais removesse a tranca aferrolhada, e a fauce escancarada dos batentes de súbito se abriu, quando os brônzeos pilares, guarnecidos de cavilhas e chavetas, nos mancais giram, um após outro?. Através dela e pela estrada ampla, as donzelas conduziram carro e corcéis. Propícia, a deusa me acolheu; e tomando, na sua, a minha mão direita, assim falou, dizendo: «Jovem, que em companhia das auriges imortais? e trazido por esses corcéis, a nossa morada chegaste, eu? te saúdo! Pois não foi a sorte? ruim que por este caminho te enviou — que bem longe está ele das sendas humanas —, mas Dike (Justiça) e Thémis (Lei? Divina). É preciso que tudo conheças, tanto o intrépido coração da verdade? bem rotunda, quando a opinião dos mortais, em que não há segurança verdadeira. E, no entanto, também isto aprenderás: como as aparências, que permeiam todas as coisas?, tinham de ser aceitáveis.

JEAN BRUN

O poema começa em tom solene:

«As éguas que me transportam conduziram-me tão longe quanto o meu coração podia desejar, pois me conduziram e colocaram na via famosa da deusa que, sozinha, dirige o homem que sabe através de todas as coisas.» Guiado por donzelas, que lhe mostram o caminho, o carro de Parmênides   franqueia as portas do Dia e da Noite e chega diante da Divindade que lhe deseja as boas-vindas. W. Jaeger insistiu, com razão, no carácter iniciático, mesmo órfico, deste episódio do poema parmenidiano. (Jean Brun  , "Pré-Socráticos  ")

GREDOS XII

Las yeguas que me llevan tan lejos como mi ánimo alcance
me transportaron cuando, al conducirme, me trajeron al camino, abundante en signos,
de la diosa, el cual guía en todo sentido? al hombre que sabe.
Ahí fui enviado, pues ahí me llevaban las yeguas muy conocedoras,
tirando del carro, y las doncellas iban adelante en el camino.
Los ejes en los cubos despedían un sonido sibilante
agudo y chispeante (pues era acelerado por dos ruedas bien
redondas por ambos lados), cuando con prisa me condujeron
las doncellas Helíades, tras abandonar la morada de la Noche,
hacia la luz, quitándose de la cabeza los velos con las manos.
Allí están las puertas de los senderos de la Noche y del Día,
y en torno a ellas un dintel y un umbral de piedra.
Ellas mismas, etéreas, están cubiertas por grandes hojas,
de las cuales Dike, la de abundantes penas, guarda las llaves de usos alternos;
hablándole con dulces palabras, las doncellas
la persuadieron sabiamente para que el cerrojo asegurado
quitaran pronto de las puertas; entonces éstas abrieron sus
hojas en gigantesco bostezo, con lo cual las jambas,
muy labradas en bronce, una tras otra giraron en los goznes,
provistas de bisagras y pernos. Allí, a través de ellas,
las doncellas, siguiendo la ruta, derecho guiaron al carro y las yeguas.
Y la diosa me recibió benévola, tomó mi mano
derecha entre la suya, y me habló con estas palabras:
«¡Oh, joven, que en compañía de inmortales aurigas
y las yeguas que te conducen llegas hasta nuestra morada,
bienvenido! Pues no es un hado funesto quien te ha enviado a andar
por este camino (está apartado, en efecto, del paso de los hombres),
sino Temis y Dike. Y ahora es necesario que te enteres de todo:
por un lado, el corazón inestremecible de la verdad bien redonda;
por otro, las opiniones de los mortales, para las cuales no hay fe verdadera.
Pero igualmente aprenderás también tales cosas; como lo que se les aparece
al penetrar todo, debe existir? admisiblemente.»

PETER KINGSLEY

The mares that carry me as far as longing can reach rode on?, once they had come and fetched me onto the legendary road of the divinity that carries the man? who knows through the vast and dark unknown. And on I was carried as the mares, aware just where to go, kept carrying me straining at the chariot; and young women led the way.

And the axle in the hubs let out the sound of a pipe blazing from the pressure of the two well-rounded wheels at either side, as they rapidly led on: young women, girls, daughters of the Sun who had left the Mansions of Night for the light and pushed back the veils from their faces with their hands.

There are the gates on the pathways of Night and Day, held fast in place between the lintel above and a threshold of stone. They reach right up into the heavens, filled with gigantic doors. And the keys—that now open, now lock—are held fast by Justice: she who always demands exact returns. And with soft seductive words the girls cunningly persuaded her to push back immediately, just for them, the bar that bolts the gates. And as the doors flew open, making the bronze axles with their pegs and nails spin—now one, now the other— in their pipes, they created a gaping chasm. Straight through and on the girls held fast their course for the chariot and horses, straight down the road. [26]

And the goddess welcomed me kindly, and took my right hand in hers and spoke these words as she addressed me: “Welcome young man, partnered by immortal charioteers, reaching our home with the mares that carry you. For it was no hard fate that sent you travelling this road—so far away from the beaten track of humans—but Rightness, and Justice. And what’s needed is for you to learn all things: both the unshaken heart of persuasive Truth and the opinions of mortals in which there is nothing that can truthfully be trusted at all.

But even so, this too you will learn—how beliefs based on appearance ought to be believable as they travel all through all there is.


COMENTÁRIO

Não há nada? de vago? no Poema de Parmênides  , segundo Peter Kingsley   (2003, p. 29). Mesmo o que pode parecer vago se dá por servir a um propósito específico. Cada imagem? desempenha sua parte? em um todo completamente coerente?. Todo detalhe tem seu lugar? particular?.

Parmênides   é guiado, conforme indicado pelo Proêmio, em sua jornada por jovens, as Filhas do Sol. Elas vieram das Mansões da Noite que eram bem conhecidas no mito? grego? como as profundezas da escuridão nos mais distantes limites? da existência, ao lado do grande abismo? chamado? Tártaro, onde a terra? e o céu têm suas raízes. Este é o lugar onde o mundo? de cima encontra o mundo de baixo; onde todos os opostos que sentimos e experienciamos enquanto vivos vêm a reunir-se e juntar-se.

E isto é onde o sol se recolhe para repousar em casa com sua família toda noite.

Quanto àqueles portões que Parmêndies é levado nos caminhos da Noite e Dia, eles são os portais abrindo para o submundo — separando este mundo familiar nosso do vasto abismo logo atrás.

E a Justiça, que guarda os portões, é uma figura? familiar também. Ela é a deusa que vigia o submundo: a impiedosa fonte? de ordem?, origem? de todas as leis.

Quanto a deusa sem nome? que saúda Parmênides  , ainda não é o momento? de dizer qualquer coisa sobre ela.

Em resumo, as Filhas do Sol vieram para conduzi-lo do mundo da vida? e levá-lo direto aonde elas pertencem. Esta não é uma jornada da confusão para a claridade; da escuridão para a luz. Ao contrário, a jornada que Parmênides   descreve é exatamente o oposto. Ele esta viajando direto para noite última que nenhum ser humano poderia possivelmente sobreviver sem proteção divina. Ele está sendo levado ao coração do submundo, o mundo dos mortos.

HEIDEGGER

22 E a deusa me acolheu com simpatia?; ela tomou minha mão direita na sua; então, ela falou a palavra e se dirigiu, para mim neste modo?: “Ó homem, companheiro de imortais condutoras de carro,

25 que te conduzem, com os cavalos, alcançando nossa morada. Bênção (é) contigo! Pois não um destino? ruim te enviou a trilhares este caminho – pois, em verdade, ele está para além dos homens, fora de sua senda (muito batida) –, mas, sim, tanto estatuto? como também ordem. Mas é necessário que experimentes tudo, tanto o coração intrépido do desencobrimento bem abrangente,

30 como também o aparecer? na sua aparência para os mortais, onde não mora confiança no desencoberto. Porém, também, isto haverás de apreender? a conhecer?, como o que aparece e que [24]

32 (na necessidade?) permanece usado de modo a ser adequado? ao aparecer, na medida? em que transluz através de tudo e (portanto) deste modo tudo consuma. [HEIDEGGER  , Martin. Parmênides. Tradução Sérgio Mário Wrublevski. Petrópolis?: Vozes, 2008, p. 24-25]


Ver online : Parmênides (Heidegger)


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