PhiloSophia

PHILO = Apreço + SOPHIA = Compreensão

Version imprimable de cet article Version imprimable

Accueil > Ocidente > Pré-socráticos > Carneiro Leão (FG:109-11) – os primeiros pensadores gregos

Filosofia Grega I

Carneiro Leão (FG:109-11) – os primeiros pensadores gregos

II - O PENSAMENTO ORIGINÁRIO

jeudi 16 septembre 2021

[CARNEIRO LEÃO, Emmanuel. Filosofia Grega I. Teresópolis : Daimon Editora, 2010, p. 109-111]

2. Não? é possível? pensar? o pensamento? dos primeiros pensadores gregos só com os recursos da ciência? e da filosofia?. Toda historiografia? já é sempre uma filosofia da história?, quer o saiba ou não. Uma investigação? de pensamento, que não pretender negar-se a si mesma como pensamento, tem necessariamente de ser? uma restauração da mesma empresa. “Mesma”, no entanto, não diz aqui igual. Diz idêntica nas vicissitudes de mundos diferentes. Quem na interpretação? de um? pensamento se ativer exclusivameme aos textos e se limitar apenas ao sentido? objetivo?, destruirá precisamente o que constitui o vigor de seu esforço? de pensar. As palavras e os textos são função? do pensamento, como este é função do que, provocando a pensar, o toma possível como pensamento. Não há outra maneira de se interpretar um pensamento do que pensá-lo nas relações de identidade? e diferença? com a coisa? de suas próprias virtualidades. Apreender?-lhe o .vigor Histórico? será sempre um esforço de abrir, através do diálogo?, horizontes diferentes para um novo principiar do mesmo mistério?. Por isso a História do pensamento é uma tarefa? exclusiva de pensadores. [109]

Neste sentido a presente investigação não quer ser uma obra de historiografia filosófica. Pretende levar a sério que os primeiros pensadores gregos são pensadores e não filósofos. O destino? Histórico de seu pensamento não provém da objetividade? dos conhecimentos mas do vigor do pensamento. Por isso o caminho a seguir é o caminho de um diálogo a partir da própria coisa do pensamento. Procurar-se-á atingir o centro do diálogo para da perspectiva? central entender e interpretar os fragmentos. Pois, de que outra maneira poder-se-ia apreender-lhes o pensamento senão pensando ?

No horizonte? deste questionamento? o pensamento dos primeiros pensadores gregos revela uma profundidade atual em que as questões arroladas e as preocupações moventes acenam para o mistério vigente de sua verdade?, de outro? modo? imperceptível. Em consequência?, se encolhe a distância cronológica de mais de dois mil e quinhentos anos, que deles nos separa. A estranheza destes pensadores deixa de nos ser externamente estranha para afirmar-se como nossa própria estranheza. É então que nos sentimos conosco quando estamos com eles. Pensar o pensamento dos primeiros pensadores já não equivale a pesquisar nos fragmentos legados as ideias? que passaram pelo cérebro de gregos dos séculos VI e V antes de Cristo. Será experienciar a decadência? planetária de pensamento em que hoje nos debatemos. Trata-se de uma decadência tão decadente que grande é o risco? de perdermos até as condições de identificar a decadência e apreciá-la como decadência.

3. No século VI a religião?, a política?, a educação? gregas exercem determinada consciência? da poesia? e mitologia?. Όμηρος την Ήλλάδα πεπαίδευκε [Houmeros ten Hellada pepaideuke]. Prisma e espelho, nesta consciência se refletem e analisam as peripécias de verdade e não verdade da existência? grega. Denunciando a miopia da consciência vigente, os primeiros pensadores se lançam a pensar reciprocamente as diferenças de religião e política, de educação e habilidade, de poesia e mito? pela identidade do pensamento, pensando a compertinência de ser e pensar. Para nós, filhos do petróleo e da técnica?, tardos em pensar, se tomou ainda mais difícil este mistério da identidade numa época? de poluição e consumo. E por quê ? — Porque temos os ouvidos tão poluídos de ciência e filosofia, temos os olhos tão consumidos pelas utilidades que já não podemos ver o mistério da pobreza nem ouvir a voz do silêncio? no alarido do desenvolvimento?. Desconhecemos o [110] paradoxo? da revolução? do pensamento. Já quase não temos sensibilidade? para as vibrações de nosso destino. E isso, não tanto porque, absorvidos pelas solicitações do consumo, quase não pensamos, mas sobretudo porque, quando pensamos, quase inevitavelmente o fazemos nos moldes da filosofia e da ciência.