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Filosofia e fenomenologia do Corpo

Henry (FFC:13) – o corpo é «histórico»

quarta-feira 15 de setembro de 2021, por Cardoso de Castro

    

[HENRY, Michel. Filosofia e fenomenologia do Corpo. Tr. Luiz Paulo Rouanet. São Paulo: É Realizações, 2012, p.13]

    

O homem   não é essencialmente um ser histórico. Ele é sempre o mesmo. Tudo o que há de “profundo” nele - e com isso não pretendemos formular nenhuma apreciação de ordem   axiológica, mas designamos o que deve ser considerado originário do ponto de vista ontológico - persiste idêntico a si mesmo   e é encontrado ao longo dos séculos. É porque se apoia sobre um solo ontológico e se refere a poderes ontológicos que a moral, por sua vez, apresenta essa permanência que é a sua, e que, como diz Kierkegaard  , cada geração se vê em presença   da mesma tarefa que a geração anterior  . Dir-se-á, já que se trata aqui do corpo, que, mesmo que admitamos nossa redução e abstraiamos de toda evolução biológica em terceira pessoa  , o corpo humano se oferece ao homem com características que variam ao longo da história, características que se traduzem, por exemplo, nos hábitos tão diversos concernentes à alimentação, ao vestuário, à sexualidade, assim como nos numerosos “modos  ” a eles relacionados. Não se trata aí, porém, do corpo originário, mas das diferentes maneiras, para o homem, de representar esse corpo e se comportar em relação a ele. O que é histórico são os objetos culturais ou humanos, e as diferentes atitudes humanas a eles relacionados. No entanto, o solo ontológico que funda a ambos permanece indiferente a essa evolução; esta sempre pressupõe aquele.


Ver online : Philosophy and Phenomenology of the Body