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ÉTICA DE ESPINOSA

Espinosa (E II, 11) : Pensamento constitui Mente

Parte II - Da Natureza e Origem da Mente

mercredi 15 septembre 2021

ESPINOSA, Benedictus de. Ética. Tr. Grupo de Estudos Espinosanos. São Paulo : EDUSP, 2015, 145, 147

Grupo de Estudos Espinosanos

Proposição XI. O que, primeiramente, constitui o ser atual da Mente? humana é nada outro que a ideia de uma coisa singular existente em ato.

Demonstração. A essência do homem? (pelo corol. da prop. prec.) é constituída por modos certos dos atributos de Deus, e certamente (pelo ax. 2 desta parte), por modos do pensar, dentre todos os quais (pelo ax. 3 desta parte) a ideia é anterior por natureza? e, dada, os outros modos (aos quais a ideia é anterior por natureza) devem ser dados no mesmo indivíduo (pelo ax. 3 desta parte). Ora, por isso a ideia é o que primeiramente constitui o ser da Mente humana. Mas não a ideia de uma coisa não existente, pois, então (pelo coral., da prop. 8 desta parte), a própria ideia não poderia ser dita existir ; logo, será a ideia de uma coisa existente em ato. Mas não de uma coisa infinita, pois uma coisa infinita (pelas prop. 21 e 22 da parte I) deve sempre necessariamente existir. Ora, isso (pelo ax. 1 desta parte) é absurdo. Logo, o que primeiramente constitui o ser atual da Mente humana é a ideia de uma coisa singular existente em ato. C. Q. D.

Corolário. Disso se segue que a mente humana é uma parte do intelecto infinito de Deus ; e, portanto, quando dizemos que a mente humana percebe isto ou aquilo não dizemos senão que Deus, não enquanto é infinito, mas enquanto é explicado pela natureza da Mente humana, ou seja, enquanto constitui a essência da Mente humana, tem esta ou aquela ideia ; e quando dizemos que Deus tem esta ou aquela ideia não apenas enquanto constitui a natureza da Mente humana, mas enquanto em simultâneo com a Mente humana, tem também a ideia de outra coisa, então dizemos que a Mente percebe a coisa parcialmente, ou seja, inadequadamente.

Escólio. Aqui, sem dúvida, os Leitores estarão estarrecidos e lhes passará pela cabeça muita coisa que sirva de empecilho ; eis por que rogo que prossigam comigo em passos lentos, e que não julguem isso até que tenham lido tudo do começo ao fim.

Francisco Larroyo

PROPOSICIÓN XI

Lo que constituye primero el ser actual del alma humana, no es más que la idea de una cosa singular existente en acto.

[53] Demostración

La esencia del hombre (Corolario de la Proposición precedente) es constituida por ciertos modos de los atributos de Dios ; a saber (Axioma 2) : por modos del pensar ; de todos estos modos (Axioma 3) la idea es por su naturaleza el primero y, cuando es dada, los otros modos (aquellos a los que la idea es anterior por su naturaleza) deben encontrarse en este individuo (el mismo Axioma). Lo que constituye primero el ser de un alma humana, es, pues, una idea ; pero no la idea de una cosa no existente, porque de otro modo esta idea (Corolario de la Proposición 8) no podría decirse que existía ; es, pues, la idea de una cosa existente en acto. Pero no de una cosa infinita ; porque una cosa infinita (Proposiciones 21 y 22, parte I) debe existir siempre necesariamente. Esto es absurdo (Axioma I) ; por consiguiente, lo que constituye primero el ser actual del alma humana, es la idea de una cosa singular existente en acto. C. Q. F. D.

COROLARIO

Se deduce de aquí que el alma humana es una parte del entendimiento infinito de Dios ; y, por consecuencia, cuando decimos que el alma humana percibe tal o cual cosa, decimos únicamente que Dios, no en tanto que es infinito, sino en tanto se explica por la naturaleza del alma humana, o constituye la esencia del alma humana, tiene tal o cual idea, y cuando decimos que Dios tiene tal o cual idea, no en tanto solamente que constituye la naturaleza del alma humana, sino en tanto tiene, además de esta alma, y conjuntamente con ella, la idea de otra cosa, decimos que el alma humana percibe una cosa parcialmente o inadecuadamente.

ESCOLIO

Los lectores se encontrarán aquí molestos sin duda, y les vendrán al espíritu muchas cosas que les detendrán ; por este motivo les ruego avancen conmigo a paso lento y suspendan su juicio hasta que hayan terminado la lectura.

Charles Appuhn

PROPOSITION XI

Ce qui constitue en premier l’être actuel de l’âme humaine n’est rien d’autre que l’idée d’une chose? singulière existant en acte.

Démonstration

L’essence de l’homme (Coroll. de la Prop. préc.) est constituée par certains modes des attributs de Dieu ; savoir (Ax. 2) par des modes du penser ; de tous ces modes (Ax. 3) l’idée est de sa nature le premier et, quand elle est donnée, les autres modes (ceux auxquels l’idée est antérieure de sa nature) doivent se trouver dans cet individu (même Axiome) ; ce qui constitue en premier l’être d’une Âme humaine est donc une idée. Non cependant l’idée d’une chose non existante. Car autrement cette idée (Coroll. de la Prop. 8) ne pourrait être dite exister? ; [82] ce sera donc l’idée d’une chose existant en acte. Non toutefois, d’une chose infinie ; car une chose infinie (Prop. 2i et 22, p. I) doit toujours exister nécessairement. Or cela est absurde (Ax. I) ; donc ce qui constitue en premier l’être actuel de l’Âme humaine, est l’idée d’une chose singulière existant en acte.

C. Q. F. D.

COROLLAIRE

Il suit de là que l’Âme humaine est une partie de l’entendement infini de Dieu ; et conséquemment, quand nous disons que l’Âme humaine perçoit telle ou telle chose, nous ne disons rien d’autre sinon que Dieu, non en tant qu’il est infini, ; mais en tant qu’il s’explique par la nature de l’Aine humaine, ou constitue l’essence de l’Âme humaine, a telle ou telle idée, et quand nous disons que Dieu a telle ou telle idée, non en tant seulement qu’il constitue la nature de l’Âme humaine, mais en tant qu’il a, outre cette Âme, et conjointement à elle, l’idée d’une autre chose, alors nous disons que l’Âme humaine perçoit une chose partiellement ou inadéquatement.

SCOLIE

Les lecteurs se trouveront ici empêchés sans doute, et beaucoup de choses leur viendront à l’esprit qui les arrêteront ; pour cette raison je les prie d’avancer à pas lents avec moi et de surseoir à leur jugement jusqu’à ce qu’ils aient tout lu.

Elwes

PROP. XI. The first element, which constitutes the actual being of the human mind, is the idea of some particular thing actually existing.

Proof.—The essence of man (by the Coroll. of the last Prop.) is constituted by certain modes of the attributes of God, namely (by II. Ax. ii.), by the modes of thinking, of all which (by II. Ax. iii.) the idea is prior in nature, and, when the idea is given, the other modes (namely, those of which the idea is prior in nature) must be in the same individual (by the same Axiom). Therefore an idea is the first element constituting the human mind. But not the idea of a non-existent thing, for then (II. viii. Coroll.) the idea itself cannot be said to exist ; it must therefore be the idea of something actually existing. But not of an infinite thing. For an infinite thing (I. xxi., xxii.), must always necessarily exist ; this would (by II. Ax. i.) involve an absurdity. Therefore the first element, which constitutes the actual being of the human mind, is the idea of something actually existing. Q.E.D.

Corollary.—Hence it follows, that the human mind is part of the infinite intellect of God ; thus when we say, that the human mind perceives this or that, we make the assertion, that God has this or that idea, not in so far as he is infinite, but in so far as he is displayed through the nature of the human mind, or in so far as he constitutes the essence of the human mind ; and when we say that God has this or that idea, not only in so far as he constitutes the essence of the human mind, but also in so far as he, simultaneously with the human mind, has the further idea of another thing, we assert that the human mind perceives a thing in part or inadequately.

Note.—Here, I doubt not, readers will come to a stand, and will call to mind many things which will cause them to hesitate ; I therefore beg them to accompany me slowly, step by step, and not to pronounce on my statements, till they have read to the end.


Voir en ligne : ÉTICA (tr. Tomaz Tadeu)