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ÉTICA DE ESPINOSA

Espinosa (Ética III, Prop. LV) : Mente Impotência Tristeza

Parte III - Da Origem e Natureza dos Afetos

mercredi 15 septembre 2021

[ESPINOSA, Benedito de. Ética. Tr. Grupo de Estudos Espinosanos. São Paulo : EDUSP, 2015, p. 323, 325]

Proposição LV

Quando a Mente? imagina sua impotência, por isso mesmo se entristece.

Demonstração

A essência da Mente afirma apenas o que a Mente é e pode, ou seja, é da natureza? da Mente imaginar unicamente o que põe sua potência de agir? (pela Prop. preced.). Assim, quando dizemos que a Mente, ao contemplar a si própria, imagina sua impotência, nada outro dizemos senão que a Mente, ao esforçar-se para imaginar algo que põe sua potência de agir, tem este seu esforço coibido, ou seja (pelo Esc. da Prop. 11 desta parte), dizemos que ela se entristece. C. Q. D.

Corolário

Esta Tristeza é mais e mais fomentada se ela imagina ser vituperada por outros, o que se demonstra da mesma maneira que o Corol. da Prop. 53 desta parte.

E s c ó l i o

Esta Tristeza conjuntamente à ideia de nossa debilidade é chamada Humildade ; já a Alegria? que se origina da contemplação de nós mesmos chama-se Amor-próprio ou Contentamento consigo mesmo. E como esta se repete tantas vezes quantas o homem? contempla suas virtudes, ou seja, sua potência de agir, daí portanto também ocorre que cada um anseie por narrar seus feitos e exibir as forças tanto de seu corpo quanto de seu ânimo, e que os homens, por este motivo, sejam molestos uns aos outros. Disto segue, mais uma vez, que os homens são invejosos por natureza (ver Esc. da Prop. 24 e Esc. da Prop. 31 desta parte), ou seja, regozijam-se diante da debilidade de seus iguais e, inversamente, se entristecem por causa da virtude deles. Pois quantas vezes cada um imagina suas ações, tantas vezes é afetado de Alegria (pela Prop. 53 desta parte), e tanto maior quanto mais perfeição imagina suas ações exprimirem e quanto mais distintamente as imagina, isto é (pelo dito no Esc. 1 da Prop. 40 da parte II), quanto mais pode distingui-las das outras e contemplá-las como coisas singulares. Portanto, cada um se regozijará ao máximo com a contemplação de si quando contemplar em si algo que nega dos restantes. Mas se refere aquilo que afirma de si à ideia universal de homem ou de animal, não se regozijará tanto ; inversamente, ele se entristecerá se imaginar suas ações serem mais débeis comparadas às dos outros, Tristeza que certamente (pela Prop. 28 desta parte) se esforçará para afastar interpretando erradamente as ações de seus iguais ou adornando, o quanto pode, as suas próprias. Revela-se então que os homens são por natureza inclinados ao Ódio e à Inveja, ao que se ajunta a própria educação. Pois os pais costumam incitar os filhos à virtude somente com o estímulo da Honra e da Inveja.