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A Nervura do Real II

Chaui (NR2) – constituição da norma

Imanência e Liberdade em Espinosa

mercredi 15 septembre 2021

[Excerto de CHAUI, Marilena. A Nervura do Real. Imanência e Liberdade em Espinosa. Volume II Liberdade. São Paulo : Companhia das Letras, 2016]

Separando autor e obra, menosprezando o juízo? do autor, perdendo a singularidade? da ação? produtora e de seu efeito? singular?, a imaginação? realiza três operações que Espinosa analisa no Compêndio de gramática? hebraica ao mostrar como se dá a passagem de um? verbo? ou significado? de ação à cristalização imóvel de um adjetivo? que, a seguir, será substantivado. No caso presente, a imaginação começa por perder o significado verbal de perfectus/ imperfectus como particípios passados de perficere, transformando-os em adjetivos (cristaliza-os em qualidades separadas da ação) e, a seguir, substantiva os adjetivos nos substantivos perfectio/ imperfectio (o modelo?). Ao substantivar abstratamente as qualidades, separando-as da ação concreta e particular? que nomeavam, a imaginação separa agente? e ação, sedimenta o efeito da ação num modelo e impõe este último? como norma? e valor? para julgar o agente, sua ação e sua obra. A medida? e a norma, agora? universais? abstratos, fazem com que a imaginação aliene o autor de sua obra, ponha esta última não? como efeito da causa? eficiente singular que a produziu, mas como obediência? (ou desobediência) a um padrão finalizado da ação, ela própria imaginada como finalista. Inventado o modelo, passa-se do saber? do autor sobre sua ação e sua obra ao juízo do espectador, que as julga perfeitas ou imperfeitas segundo sigam os modelos ou deles se desviem. Quebra-se o vínculo entre ser? ou estar? sui juris e ser auctor/opfices : entre o autor e a obra, interpõe-se o modelo, que o comanda de fora ; entre o autor e a ação, interpõe-se o juízo daquele que conhece o modelo e os fins da ação. Rigorosamente, o autor se torna alterius juris. Todavia, os exemplaria ganham independência não só em face do autor/ artífice e da obra, mas também em face do próprio? avaliador, que ignora as operações imaginativas que lhes deram origem?.


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