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Pensamentos Metafísicos

Espinosa (PM:29-30) – vida

Capitulo VI Sobre a vida de Deus

mercredi 15 septembre 2021

[Excerto de ESPINOSA, Baruch de. "Pensamentos Metafísicos", in Espinosa. Col. Os Pensadores XVII. São Paulo : Abril, 1973, p. 29-30]

O que os filósofos entendem comumente por vida?.

Para bem? compreender? esse? atributo? de Deus?, qual seja, a vida, é necessário? que expliquemos de uma maneira geral? o que se chama vida. Em primeiro lugar?, examinaremos a opinião? dos peripatéticos. Estes entendem por vida a “persistência da alma? nutritiva com o calor” (ver Aristóteles?, Tratado da Respiração, Livro I, capítulo 8). E como forjaram três almas, a vegetativa, a sensitiva e a pensante, que atribuem apenas respectivamente às plantas, aos animais e aos homens, decorre daí, como eles próprios confessam, que os outros seres estejam desprovidos de vida, e, no entanto, não? ousaram dizer que Deus e os espíritos não têm vida. Talvez temessem cair naquilo que é o contrário da vida, e, se Deus e os espíritos fossem sem vida, estivessem mortos. Por isso, [30] Aristóteles, na Metafísica?. (Livro XI, capítulo 7), dá ainda uma outra definição? da vida, particular? aos espíritos : “A vida é o ato? do intelecto?”. Nesse sentido?, atribui a vida a Deus, que percebe pelo intelecto e que é ato puro?. Não nos cansaremos refutando tais opiniões, pois, no que concerne às três almas atribuídas às plantas, aos animais e aos homens, já demonstramos suficientemente que são apenas ficções, pois mostramos que na matéria? há apenas ajuntamentos e operações mecânicas. Quanto à vida de Deus, ignoro por que em Aristóteles ela é mais ato do intelecto do que ato da vontade? ou outro? semelhante?. Não esperando, contudo, qualquer resposta, passo à explicação? que prometíi qual seja : o que é a vida.

A que coisas? a vida pode ser? atribuída.

Embora frequentemente essa palavra? seja tomada metaforicamente para significar os costumes? de um? homem?, nós nos contentaremos em explicar? brevemente o que ela designa filosoficamente. Deve-se notar somente que, se a vida deve ser atribuída também às coisas corporais, nada? será sem vida. Se for atribuída somente aos entes nos quais uma alma está unida ao corpo?, deverá ser atribuída somente aos homens e talvez aos animais, mas não a Deus ou aos espíritos. Como, entretanto, a palavra vida comumente se estende mais, não é duvidoso que seja preciso atribuir a vida mesmo a coisas corporais não unidas a espíritos e a espíritos separados do corpo.

O que é a vida e o que ela é em Deus.

Entendemos, pois, por vida a força? pela qual as coisas perseveram em seu ser, e, como essa força é distinta das próprias coisas, dizemos propriamente que as coisas têm vida. Mas como a força pela qual Deus persevera em seu ser nada mais é do que sua essência?, falam bem aqueles que dizem que Deus é a vida. Não faltam teólogos que compreendam que é por essa razão? que os judeus, ao jurar, dizem : “Por Deus vivo” e não “Pela vida de Deus”, como José, que, jurando pela vida do Faraó, dizia : “Pela vida de Faraó”.


Voir en ligne : Espinosa. Col. Os Pensadores XVII.