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Obras Completas II

Espinosa (Cartas:58) – livre-arbítrio

Correspondência Completa e Vida

mercredi 15 septembre 2021

[GUINSBURG, J., CUNHA, Newton e ROMANO, Roberto. Spinoza. Obras Completas II. Correspondência Completa e Vida. São Paulo : Perspectiva, 2014, p. 243-244]

Mas desçamos às coisas? criadas, que são todas determinadas a existir? por causas exteriores e a agir? de um? modo? determinado. Para tornar isso claro e inteligível?, concebamos uma coisa? muito simples? : uma pedra, por exemplo?, recebe de uma causa? exterior?, que a empurra, uma certa quantidade? de movimento? e, tendo cessado o impulso? da causa exterior, ela continuará a mover necessariamente. Essa persistência da pedra no movimento é uma coação?, não? porque seja necessária, mas porque se define? pelo impulso de uma causa externa. E o que é verdadeiro? para a pedra, é preciso que se entenda de toda coisa singular?, qualquer que seja a complexidade que vos agrade lhe atribuir, tão numerosas quanto possam ser? suas atitudes, pois toda coisa singular é, necessariamente, determinada por uma causa exterior a existir e a agir de uma certa maneira determinada.

Concebei agora?, se bem? quiserdes, que a pedra, enquanto continua a se mover, pense e saiba que faz esforço?, tanto quanto possa, para se movimentar. Seguramente, essa pedra, pois que tem consciência? de seu esforço e não é de modo algum indiferente? a ele, acreditará que é bastante livre e apenas persevera em seu movimento porque quer. Assim é esta liberdade? humana que todos se vangloriam de possuir e que consiste apenas no fato? de que os homens têm consciência de seus apetites e ignoram as causas que lhes determinam. Deste modo, uma criança acredita livremente sentir apetite? e suga o leite, um jovem rapaz irritado quer se vingar ou, sendo um poltrão, quer fugir. Um bêbado acredita dizer por livre decreto de sua alma? aquilo que, em seguida, voltando à sobriedade, teria desejado calar. Do mesmo modo, um falastrão e muitos outros da mesma farinha creem agir por livre vontade? da alma e não se deixar coagir. Sendo esse? preconceito julgado natural?, congenial entre todos os homens, dele não se livram tão facilmente. Ainda que a experiência? ensine mais do que suficientemente que uma coisa da qual os homens são bem pouco capazes é a de regrar seus apetites, e embora constatem que, divididos entre duas afecções contrárias, com frequência veem o melhor e fazem o pior, ainda assim acreditam ser livres, e isso porque há certas coisas que, estimulando apenas um apetite ligeiro, facilmente é dominado pela lembrança de qualquer outra coisa.