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ROSEA CRUZ

Pessoa : Philosopho Hermetico II

Seleção do espólio do autor por Pedro T. Mota

vendredi 1er août 2014

Fragmentos dos escritos do espólio de Fernando Pessoa, organizado por Pedro T. Mota, sobre o tema « ROSEA CRUZ ».

A intuição? não? é senão a socialização? da ciência? do oculto?. Ao oculto pode-se achar 3 formas : o passado, o futuro? e o oculto verdadeiramente, o íntimo, a outra face das coisas?. Oculto significa o que não é presente, o que não é atual — isto pode ser? o que já passou, o que virá a ser e também o que é mas não conhecemos.

— Pode também fazer-se uma outra divisão? : em estas três espécies — o não presente ou inatual (incluindo o passado e o futuro), o invisível (isto é, aquilo que é presente e está fora da nossa vista ou meio? de conhecimento?, mas que é cognoscível por meios usuais e científicos : — como o que se está passando na casa ao lado, o que se está fazendo na China, para nós, o que há no polo sul) e, finalmente, o oculto propriamente dito?.

Assim a doutrina científica da hereditariedade? só hoje tem lugar? no desenvolvimento? da ciência, mas os gregos a contém especialmente os dramaturgos. Intuição, porque é ciência fora do devido lugar no tempo?.

Shakespeare — a muitos admira — construiu no « Rei Lear », como em outros casos, um? tipo? esplendido e cientificamente exato? de loucura? social?. Como ? Por intuição. Intuicionou elementos? científicos que só hoje têm lugar na ciência e com eles construiu aquele tipo.

A intuição é inconsciente? da natureza? do intuído. Assim, por bela que seja a minha intuição do passado eu? nunca o revivo. Falta?-me o elemento? vital à intuição.

Vemos que a intuição, como o mediunismo, são fenômenos do ocultismo? inconsciente, de iluminismo? inconsciente. A intuição pode ser assocializável, como na loucura, e socializável no gênio?. Isto é, o homem? de gênio concebe o que intuiciona de forma? que equilibre o elemento oculto com o elemento social — e assim toma o que diz útil? e agradável à sociedade?. O louco — Ah, que os seres não entendem o louco ! — O louco, seja ele de que espécie? for, intuiciona mais fundamente em realidade? do que o homem de gênio, o que faz com que a sua intuição se individualiza em extremo? (a gnose é individual, já lho disse) e assim não pode socializar o que intuiciona. E também o seu corpo? o seu quimismo individual de tal modo? se alterará que produzirá o resultado (...) à face social se chama loucura, e que dá uma incompatibilidade? de vida? com os outros.

Repare, e repare bem?, que eu não digo que o louco é um iluminado. O louco repito-lhe é um semi-iluminado ; não tem a Ciência, mas uma forte intuição de oculto. Levanta os pés da terra? em curto voo, mas não chega ao ...onde quer chegar. Compreende-me não é verdade? ?

Do ponto? de equilíbrio entre a intuição da gnose e a vida social, é aquele em que essa intuição é incompleta e em que...

Isto é, o indivíduo? nem deixa de ser social, nem de ser intuitivo, fá o doido está mais consciente? na intuição gnóstica. — Os maiores gênios Platão?, Shakespeare, são os que estão entre a gnose e a vida social, a alma? e o acatamento. Já os Paracelsus, (...) viu (...)

O espírito? não cria concebe. Propriamente o que concebemos, não o concebemos ; é concebido em nós pelo Criador. (o Mundo? é um visto conceito?...). Assim a alucinação? como se explica ? Como posso eu ver o que ali não está ? Eu não o posso criar. É então criado em mim ? Mas assim é o mundo. Mas é impalpável. É que não-universal?. E veja só eu (leitura incerta). Naturalmente, sendo não universal, é não-social também. É individual puramente. E a gnose é individual, já sabemos (V. já lho disse). O que vemos, por alucinação, está ali, pelo menos está ali tanto com as coisas reais ali estão.


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