PhiloSophia

PHILO = Apreço + SOPHIA = Compreensão

Version imprimable de cet article Version imprimable

Accueil > Arte e Simbolismo > Século XX > Fernando Pessoa (1888-1935) > Esoterismo > Pessoa : Philosopho Hermetico I

ROSEA CRUZ

Pessoa : Philosopho Hermetico I

Seleção do espólio do autor por Pedro T. Mota

vendredi 1er août 2014

Excertos de « ROSEA CRUZ

« E a Gnose », perguntou ele, « o que sabem os senhores do que foi realmente a Gnose ? Tratam-na ainda, e a tratarão sempre, como uma seita? religiosa, um? movimento? herético. Há, é verdade?, quem se lembre de a considerar como uma sobrevivência? de qualquer cousa anterior ao Cristianismo. A ideia? é justa, muito justa, mas como é errado, ao mesmo tempo? ! »

« Assim como na vida? há dois lados — o lado pelo qual ela é exterior?, luz?, vida pratica, logar do senso? comum, da ciência?, da arte?, da filosofia?, e o lado pelo qual ela é O DESCONHECIDO — assim há duas ciências — a ciência que o senhor conhece, a metafísica? que sabe, e a outra ciência, a que se não? sabe ostensivamente nunca, a que não se socializa ou torna conhecida, a ciência oculta, a magia?, que os senhores não só ignoram, como ignorarão sempre, porque, pela natureza? das coisas?, são condenados a ignorá-la. Bem? sei, bem sei que a curiosidade? moderna se vai aproximando em alguns pontos da ciência ; mas á medida? que ela se aproxima, a outra recua. O milagre? — isso a que chamam milagre existe, creia-o senhor. Mas quando se tenta investigá-lo desaparece. Parece á razão? vulgar? — e está na natureza útil? das coisas que assim seja que é porque o milagre não existe. Não é. é porque ele não é sociável, não é passível para a ciência exterior, que em livros e experiências se estuda e ensina. »

Verão o que se averígua dos fenômenos chamados do espiritismo?. Não se averiguará senão, quando muito, certas coisas ininteressantes. O modo? real? e íntimo como eles se dão — esse? não é revelável.

Ninguém lê os livros de ciência hermética que se tem publicado. E quem os lê ou os põe de parte? rindo, ou os abandona tediento de os não ter? podido compreender?. É que na própria natureza da magia está providencialmente envolvida a impossibilidade? de ela — a ciência suprema — se poder tornar publica como ciência. Mais lhe direi — porque não ha mal? em dizer lho — o saber? da ciência real anda envolvido em nem sequer pensar? em divulgá-la. As razões lógicas e superficiais, já lhas dei. As razões intimas e essenciais nem sequer posso pensar em querer dar lhas. Não me compreende bem, porque isto não é para que se compreenda ? Lembra-se do que dizia Jesus ? « Que quem compreender isto que o compreenda ? « É o filósofo? hermético? a falar? da ciência real aos outros. Mas por mais que queira não quer nunca revelá-la. De maneira que tudo o que diz, tem de o fechar com essa frase « quem poder compreender que compreenda ». E ha quem possa compreender. Há iniciados ab origine?. Digo-lhe isto, porque não lhe revelo nada?. Quando perceberão os senhores o sentido? real, portanto não literal, daquela frase de Jesus : e alguns foram eunucos desde o ventre materno, e outros fizeram-se eunucos pelo reino? dos céus ». Que ingenuidade? a sua julgando que eunuco quer dizer eunuco ou que reino dos céus tem que ver com reino ou céus ou qualquer coisa? que nas palavras transpareça ! »


Voir en ligne : Fernando Pessoa