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Fernando Pessoa e a filosofia hermética

Pessoa: ENSAIO SOBRE A INICIAÇÃO

Org. do espólio de Yvette Centeno

sexta-feira 1º de agosto de 2014, por Cardoso de Castro

Tradução do original em inglês de Maria Helena Rodrigues de Carvalho

Oc.

Há três tipos distintos de iniciação — simbólica ou exterior, intelectual (exterior à interior) e vital (interior). Nas iniciações simbólicas, que reforçam a vontade e que, portanto, conduzem à Magia como realização, o candidato não passa por graus de entendimento, mas por graus de intuição, por assim dizer; ele está continuamente à superfície e na aparência das coisas, e, embora ele atinja o grau mais elevado, qualquer que seja a ordem ou ordens por que prossiga, esse grau mais elevado não precisa de corresponder (geralmente não corresponde) a qualquer coisa como um grau paralelo em qualquer das iniciações interiores. Nas iniciações intelectuais, que reforçam o intelecto e que, portanto, conduzem ao Misticismo como realização, o candidato passa por estádios de entendimento, mas não por estádios de vida; ele pode saber muito, mas não precisa de viver aquilo que conhece no mesmo plano em que o conhece. Nas iniciações vitais, que reforçam a emoção e, portanto, conduzem à Alquimia como realização, o candidato vive aquilo que sente e sabe.

(Isto está certo?). Não será antes que estas iniciações diferem numa outra medida, enquanto a diferença entre Magia, Misticismo e Alquimia (então e a Gnose  ?) se encontra noutro plano de interpretação? Estas iniciações não são antes físicas, etéreas e astrais? (ou, talvez, etéreas,, astrais e espirituais, ou astrais, mentais e espirituais?).

— Possivelmente há três modos pelos quais as iniciações podem ser interpretadas: (1) os três caminhos de realização, mágico, místico e gnóstico, (2) os três estádios de realização, Neófito, Adepto e Mestre, (3) os três graus de realização, astral, mental e espiritual.

(Esp. 54A-52)