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Textos filosóficos e esotéricos

Pessoa : REFLEXÕES SOBRE O HOMEM

António Quadros (org.)

dimanche 27 juillet 2014

Excertos do livro organizado por António Quadros, "A procura da verdade oculta". Textos filosóficos e esotéricos.

1. O homem? é um? animal? irracional?, exatamente como os outros. A única diferença? é que os outros são animais irracionais simples?, e o homem é um animal irracional complexo?. É esta a conclusão a que nos leva a psicologia? científica, no seu atual estado? de desenvolvimento?. O subconsciente?, inconsciente?, é que dirige e impera, no homem como no animal. A consciência?, a razão?, o raciocínio? são meros espelhos. O homem tem apenas um espelho mais polido que os animais que lhe são inferiores.

2. Sendo assim, toda a vida? social? procede de irracionalismos vários, sendo absolutamemte impossível? (excepto no cérebro dos loucos e dos idiotas) a ideia? de uma sociedade? racionalmente organizada, ou justiceiramente organizada, ou, até, bem? organizada.

3. A única coisa? superior? que o homem pode conseguir é um disfarce do instinto?, ou seja o domínio do instinto por meio? de um instinto reputado superior. Esse? instinto é o instinto estético. Toda a verdadeira política? e toda a verdadeira vida social superior é uma simples questão? de senso? estético, ou de bom? gosto?.

4. A humanidade?, ou qualquer nação?, divide-se em três classes sociais verdadeiras : os criadores de arte? ; os apreciadores de arte ; e a plebe. As épocas maiores da humanidade são aquelas em que sobressaem os criadores de arte, mas não? se sabe como se realizam essas épocas, porque ninguém sabe como se produzem homens de gênio?.

5. Toda a vida e história? da humanidade é uma coisa, no fundo, inteiramente fútil, não se percebe para que há, e só se percebe que tem que haver.

6. A plebe só pode compreender? a civilização? material. Julgar que ter? automóvel é ser? feliz é o sinal? distintivo do plebeu (Texto? provavelmente de 1926-1928).


O homem não sabe mais que os outros animais ; sabe menos. Eles sabem o que precisam saber?. Nós não (Texto sem data).


O homem luta não só, como os animais, pelo necessário?, mas também pelo supérfluo.

(Aqui se mostra o mórbido.) A luta pelo supérfluo (Texto sem data).


O problema? essencial? da vida, que é o problema da realidade? ou da verdade?, não existe, nem pode existir? em iguais termos para o homem de inteligência? superior e para o homem vulgar?. O homem de inteligência superior não tem, é certo, melhores elementos? para descobrir a verdade do que o mais fechado dos idiotas. O que tem é melhores elementos para compreender por que é que ela se não pode descobrir. Mas a descrença, a que chegam todos os espíritos elevados, em quem a razão predomina sobre o sentimento?, sendo para eles tônica, é absolutamente desastrosa para os inferiores. Sem fé?, sem crença?, o homem vulgar reduz-se a um bicho ; com fé, com crença, o homem superior baixa de posto. De aí o terrível paradoxo?, que ataca todo? o homem ao mesmo tempo? superior intelectual e moralmente ; que é inferior não sentir a descrença, e inferior pregar a descrença que sente. 0 inferior não é capaz de descrença, porque a crença é um estado orgânico? dos instintivos. Por isso a descrença, caindo nesse solo impropício, ou se torna um fanatismo? às avessas, ou um materialismo? sem teoria?, ou uma simples estupidez (Presumivelmente de 1926-1928.).


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