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Acervo do autor sobre tempo, espaço, ser

Pessoa : NATUREZA E REALIDADE

António Quadros (org.)

dimanche 27 juillet 2014

Excertos do livro organizado por António Quadros, "A procura da verdade oculta". Fragmentos do acervo do autor sobre tempo, espaço, ser, matemática, realidade, categorias... [Texto possivelmente de 1915-1916]

1 — TEMPO, ESPAÇO E SER

O tempo em si contém a possibilidade de todas as durações : o espaço em si a possibilidade de todos os tamanhos, de todas as extensões ; a forma em si a possibilidade tanto do círculo como do triângulo, a possibilidade de todas as formas.

Assim como o tempo-em-si, isto é, a eternidade, é inconcebível, da mesma maneira a forma em si é impensável. Só compreendemos o tempo quando ele se materializa, se fenomeniza, em uma duração qualquer ; só compreendemos a forma quando ela se determina como, por exemplo, num círculo ou num triângulo.

(Para que a forma seja no espaço é necessário? que à nossa concepção de círculo estivesse ligado um tamanho determinado.)

Tudo isto quer dizer simplesmente uma coisa : que o tempo, a forma, etc, só se tornam perceptíveis quando encontram um objeto?. Ora, para isto assim ser, é lógico que o objeto em si não conheça o tempo e o espaço seja extemporâneo e imenso, anterior a tempo e espaço, se assim se pode falar. [Texto provavelmente de 1912-1914]

O tempo e o espaço não podem por si próprios originar a individualidade. O Ser é necessário. Um homem? morto ocupa Tempo e Espaço, mas não tem individualidade, não tem Ser. [Presumivelmente de 1907]

Em cada instante que passa decorre uma eternidade, visto que cada instante, infinitamente divisível, é infinito idealmente, isto é, eterno.

A divisão do tempo é uma convenção Realmente cada divisão dessas (seja qual for) é uma eternidade.

O célebre argumento de éternité énubée é falso no que quer provar, por ser inconcebível uma éternité énubée.

Se avançamos para o infinito não avançamos realmente, mas estamos essencialmente estacionários. [Presumivelmente de 1907]


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