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Bleicher Correntes Hermenêuticas

terça-feira 22 de março de 2022, por Cardoso de Castro

    

JOSEF BLEICHER — HERMENÊUTICA CONTEMPORÂNEA
Hermenêutica Contemporânea
Introdução
Teoria   ou filosofia da interpretação   do significado, do sentido; atualmente tópico essencial na filosofia das ciências sociais, da arte e da linguagem, assim como no crítica literária.

Problema Hermenêutico

  • Realização   que expressões humanas contém um componente significativo, que deve ser reconhecido como tal por um sujeito   e transposto para seu próprio sistema de valores e sentidos.
  • Como este processo é possível e como se dar conta do sentido subjetivamente intencionado, objetivo face ao fato que é mediado pela subjetividade do próprio intérprete.

Hermenêutica Contemporânea é caracterizada por visões conflitantes deste problema:

  • Teoria Hermenêutica
  • Filosofia Hermenêutica
  • Hermenêutica Crítica

Teoria Hermenêutica

Problemática de uma teoria geral da interpretação como metodologia das ciências humanas (Geisteswissenschaften)

Através da análise da verstehen (compreender) como o método apropriado para re-experimentar e re-pensar   o que um autor sentiu ou pensou originalmente, Betti esperava ganhar uma percepção do processo de compreensão em geral: como somos capazes de transpor complexos-de-sentido criados por alguém em nossa própria compreensão de nós mesmos e de nosso mundo.

O uso metodologicamente desenvolvido de nossa capacidade intuitiva serve para aquisição do conhecimento «relativamente objetivo». Aborda formas plenas de sentido com um conjunto   de cânones que foram formulados para facilitar a interpretação correta de objetivações da atividade   ou consciência   humanas, ou seja, das expressões humanas. O uso de cânones, associa a teoria hermenêutica de Betti a de Schleiermacher, no qual a arte da interpretação alcanço o ponto culminante desde sua origem no pensamento grego antigo. Schleiermacher abre pela primeira vez uma discussão sobre a propriedade da língua como meio universal   da humanidade que adentra o «círculo   hermenêutico», como aquele todo em relação ao qual partes individuais adquirem seu sentido. A compreensão de fontes passadas é impedida pela historicidade do sujeito, de modo que a tarefa da hermenêutica pode ser expressa como evitar a incompreensão.

Dilthey   desenvolve a teoria hermenêutica como epistemologia e metodologia de compreensão. Sua Crítica da Razão Histórica tenta uma investigação transcendental das condições de possibilidade do conhecimento histórico, à semelhança   de Kant  , em sua Crítica da Razão Pura; o aspecto metodológico reduz-se à interpretação de documentos linguisticamente fixados, que representam um caso específico do uso do método da verstehen como modo de cognição apropriado em instâncias onde a relação sujeito-objeto é uma de «vida encontra vida».

Dilthey tenta solucionar o problema da hermenêutica que constitui a “consciência histórica”, recorrendo à preocupação romântica de «experiência vivida». Voltando-se para a teoria do espírito   objetivo de Hegel   e adotando a distinção entre significado e expressão   sugerida pelas Investigações Lógicas de Husserl  , aproximou-se da mediação alcançada por Betti entre consciência histórica e empenho pela verdade teorética.

Filosofia Hermenêutica

Recusa a busca em prol de uma base científica da investigação do sentido, como «objetivismo». Afirma que o cientista social ou intérprete e o objeto estão ligados por um contexto de tradição  , que implica que ele já tem uma pré-compreensão de seu objeto quando de sua abordagem, assim sendo incapaz de iniciar   com uma mente   neutra. A concepção do que está envolvido na compreensão passa da reprodução do objeto pré-dado à participação   em contínua comunicação entre passado   e presente. A Filosofia Hermenêutica não visa conhecimento objetivo através de procedimentos metódicos, mas a explicação e descrição fenomenológica do Dasein   humano em sua temporalidade e historicidade. Heidegger   não podia encontrar um ponto de partida na categoria «vida» (Leben) em Dilthey, que até subjaz o apriorismo da «consciência transcendental» do a priori   Kant. Heidegger também questiona a possibilidade de compreensão em geral, mas responde que qualquer aquisição de conhecimento só tem lugar seguindo os ditames do «círculo hermenêutico». O círculo hermenêutico começa com a antecipação   projetiva de sentido e procede através da mediação dialógica-dialética de sujeito e objeto. A meta de compreensão de um texto, por exemplo, pode não ser o reconhecimento objetivo da intenção   do autor, mas a emergência de conhecimento praticamente relevante no qual o sujeito ele mesmo modifica-se pela percepção de novas possibilidades de existência e sua responsabilidade   por seu próprio futuro.

Na obra de Gadamer  , o problema da hermenêutica recebe uma reviravolta linguística-filosófica: na medida que o “problema hermenêutico” está preocupado com alcançar um acordo com alguém sobre nosso «mundo» compartilhado. Esta comunicação toma a forma de um diálogo   que resulta na «fusão de horizontes».

Bleicher salienta que usa um artifício de linguagem para distinguir   duas hermenêuticas: em inglês, “hemeneutic” e “hermeneutical”, onde este último qualificador conota a orientação metodológica, enquanto o primeiro uma preocupação filosófica. Esta distinção Bleicher utiliza também para identificar o relacionamento de uma e de outra com a história: “historic” no caso da Filosofia Histórica que valoriza o sujeito hic et nunc; e “historical”, na Teoria Hermenêutica que busca um conhecimento objetivo dos eventos do passado. Em português , esta distinção não foi possível aplicar, ficando o único qualificador “hermenêutico(a)”.

Essas diferenças caracterizam uma disputa   entre Betti e Gadamer sobre:

  • a possibilidade de interpretação objetiva
  • se a análise de Gadamer da «pré-estrutura  » da compreensão representa um perigo para esta, dada sua ênfase no papel essencial dos «preconceitos» no processo de cognição.