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Ask the Awakened

Wei Wu Wei (AA:Intro) – Escrituras - Meditação

Introdução

segunda-feira 29 de agosto de 2022, por Cardoso de Castro

    

Expressei minha visão   que posto que não temos Mestres completamente despertos disponíveis para nos manobrar na correta orientação, devemos proceder via compreensão objetiva. Enfim, não temos Mestres vivos disponíveis no Ocidente atualmente, até onde saiba, mas temos os grandes Mestres despertos do passado   cujas palavras foram preservadas, e temos os sutras  , e, particularmente os supremos sutras Prajnaparamita  .

    

tradução

Os métodos dos Mestres são ilustrados pelo ditado: “Adquirir compreensão nas mãos de outros é fechar os portões da auto-iluminação  ”. Nada poderia ser expresso de forma mais clara ou concisa, e a explicação, é claro, é que a compreensão assim adquirida é necessariamente uma compreensão objetiva. Na verdade, minha compreensão é sem valor   para você, necessariamente assim, mesmo que seja a compreensão correta. Talvez isso não esteja claro, mas é um fato. Na ciência objetiva, minha compreensão, se estivesse correta, seria perfeitamente válida para você e você poderia tomá-la de mim   se fosse adequadamente expressa. Mas essa compreensão não é desse tipo e não pode ser transferida ou transmitida. Ela só pode ser indicada, e você tem que encontrar seu próprio caminho   para isso. Fenomenicamente, dualisticamente, você pode ser levado à “visão  ” disso, mas somente você mesmo pode “ver” isso. Mesmo isso é metafórico, pois a verdade nunca pode ser “vista”, pois ver é objetivo. Isso também é olhar na direção   errada, e mesmo quando você olhar na direção certa você não verá nada, isso é vazio  , pois olhar em si é objetivo e deve ser abandonado.

Desencorajador? Na verdade, não. Afinal, se fosse fácil não seríamos todos Budas?

Expressei minha visão que posto que não temos Mestres completamente despertos disponíveis para nos manobrar na correta orientação, devemos proceder via compreensão objetiva. Enfim, não temos Mestres vivos disponíveis no Ocidente atualmente, até onde saiba, mas temos os grandes Mestres despertos do passado   cujas palavras foram preservadas, e temos os sutras  , e, particularmente os supremos sutras Prajnaparamita  . Ora, eles não são fáceis; ora, as traduções — pelas quais, no entanto deveríamos ser humildemente gratos — não são tão satisfatórias; e ora, não os estudamos como deveríamos. Minha visão, se vale alguma coisa, é que para todos os fins e intenções nada mais temos que importe. É nosso infortúnio que os pictogramas chineses sejam destituídos de gramática e sintaxe, que a maioria das palavras tenham muitos significados, e que somente alguém que compreendeu totalmente o significado do texto possa realmente estar qualificada para traduzi-lo. Além disso, muitos Mestres falaram em dialetos locais, seu próprio método tendia ao uso de gíria e linguagem coloquial cujo sentido só pode ser suposto, e eles sem dúvida usavam muitas palavras comuns em um sentido técnico   especial que é difícil de recuperar. Tudo isso é nossa carga, e devemos suportá-la o melhor possível.

Não somos ajudados por nossas próprias tendência deploráveis de mal usar nossas próprias palavras. Tome, por exemplo, «meditação  ». Exatamente o que as pessoas mais qualificadas que a usam significam por ela não sei, mas todos sabemos o que o homem   normal significa por ela. São João da Cruz  , o cristão iluminado cuja compreensão está em perfeita conformidade com aquela dos Mestres orientais, a definia claramente: dizia, «meditação, que é atividade   mental   discursiva por meio de imagens, formas e figuras que são produzidas imaginativamente», e prossegue dizendo que é a primeira coisa a se livrar. Os grandes Mestres diziam exatamente o mesmo, com efeito isso pode ser afirmado ser o ponto focal de seu ensinamento, e, mesmo se não tivesse afirmado isto, qualquer um que compreenda o que eles requerem de nós deve rapidamente ver isto por si mesmo  . No entanto, presumivelmente porque é um dos significados encontrados em um dicionário para a palavra Dhyana  , nos defrontamos com praticamente nada senão esse «método» de «alcançar» iluminação. Naturalmente qualquer um pode tomar qualquer palavra e declarar que a usa para significar o oposto, mas realmente isso não parece ser uma boa ideia, nem uma que é calculada para ajudar o peregrino esforçado  . O significado real de Dhyana é muito bem conhecido, embora nenhuma única palavra o cubra em nossas línguas; destas «ser/estar-ciente  » (ing. awareness) é o mais próximo, implicando um estado   vívido de ser/estar-ciente livre de todo «apego» ou mentação de qualquer tipo [1].

Enfim, há muitas outras tais palavras, sem esquecer a desafortunada «Zen». Pode-se ter a mais alta consideração   pelo desenvolvimento japonês do Chan  , mas Zen é isso, nada além disso. Além do mais Chan não está morto, não morreu quando a doutrina   foi levada para o Japão; esta peça de propaganda não é mais sustentável agora que sabemos dos grandes Mestres Chan, incluindo Han Shan que restaurou os monastérios, até o grande velho Mestre — Ancestral, como o chamam — Hsu Yun que morreu ano passado com a idade de 119 anos. Eles preservaram em grande pureza   o ensinamento e métodos dos Mestres Tang, e quando nos voltamos para eles descobrimos neles uma revelação, e é certamente tão impreciso quanto é absurdo aplicar a eles e seu ensinamento o termo japonês «Zen» que representa uma tradição   consideravelmente diferente. O que possa querer qualquer propaganda e comércio, os estudantes sérios e os acadêmicos deveriam usar palavras em seu sentido próprio.

Quanto a termos como «natureza-de-si» que raramente tem, se jamais, qualquer coisa a ver com o que pensamos como «si», pois nada indica de pessoal, mas mente   subjetiva no sentido não-dual de subjetividade; as palavras «mente», «Mente Una», etc., raramente têm o sentido objetivo que normalmente os damos, e assim como wu nien   não significa apenas «nenhum pensamento», wu wei   não implica «inação» mas, ao invés, «espontaneidade», assim «chih» não significa usualmente «conhecimento», e «prajna» não sempre ou até talvez frequentemente signifique o que entendemos como «sabedoria  ».

Se isto é mantido em conta o verdadeiro sentido das palavras dos Mestres Despertos rapidamente se tornarão mais claros, e se os relermos a cada seis meses ou mais, colheremos uma colheita ainda mais rica de compreensão, até, finalmente, nós também termos inteira e perfeitamente compreendido.

Original

The methods of the Masters are illustrated by the saying: “To acquire understanding at the hands of others is to close the gates of self-enlightenment.” Nothing could be more clearly or tersely expressed, and the explanation, of course, is that the understanding thus acquired is necessarily objective understanding. In fact my understanding is valueless to you, quite necessarily so, even it be the correct understanding. Perhaps that is not clear, but it is a fact. In objective science my understanding, if it were correct, would be perfectly valid for you and you could take it from me if it were adequately expressed. But this understanding is not of that kind, and it cannot be transferred or transmitted. It can only be pointed at, and you have to find your own way to it yourself. Phenomenally, dualistically, you can be led to within “sight” of it, but only yourself can “see” it. Even that is metaphorical, for the truth can never be “seen,” for seeing is objective. That too is looking in the wrong direction, and even when you look in the right direction you will see nothing, that is void, for looking itself is objective and must be abandoned.

Discouraging? Not really. After all, if it were easy should we not all be Buddhas?

I have expressed my view that since we have no fully-awakened Masters available to maneuver us into the correct orientation, we must proceed via objective understanding. Alas, we have no living Masters available in the West at present, as far as I am aware, but we have the great awakened Masters of the past whose words have been preserved, and we have the sutras, in particular the supreme Prajnaparamita sutras. Alas, they are not easy; alas, the translations—for which, nevertheless we should be humbly grateful—are not quite satisfactory; and alas, we do not study them as we might. My view, for anything that it may be worth, is that to all intents and purposes we have nothing else that matters. It is our misfortune that Chinese pictograms are devoid of grammar and syntax, that most words have many meanings, and that only someone who has fully understood the meaning of the text could really be qualified to translate it. Beyond that, many Masters spoke in local dialect, their very method tended towards slang or “argot” the sense   of which can only be guessed, and they no doubt used many common words in a special technical sense that is difficult to recover. All that is our burden, and we must bear it as best we may.

We are not helped by our own regrettable tendencies to misuse our own words. Take, for instance “meditation.” Exactly what the more qualified people who use it mean by it I do not know, but we all know what the normal man means by it. St. John of the Cross, an Enlightened Christian whose understanding is in perfect conformity with that of the oriental Masters, defines it clearly: he says, “meditation, which is discursive mental activity by means of images, forms and figures that are produced imaginatively,” and he goes   on to say that it is the first thing to be got rid of. The great Masters said exactly the same, in fact that may be said to be the focal-point of their teaching, and, even if they had not said it, anyone who understands what they require of us must rapidly see it for himself. Yet, presumably because it is one of the meanings found in a Sanskrit dictionary for the word Dhyana, we are faced with practically nothing but that “method” of “attaining” enlightenment. Of course anyone can take any word and declare that he uses it to mean the opposite, but really that does not seem to be a very good idea  , nor one that is calculated to help the struggling pilgrim. The real meaning of Dhyana is well  -enough known, though no single word covers it in our languages; of these “awareness” is the nearest, implying a vivid state of consciousness free of all “abiding” or mentation of any kind. [2]

Alas, there are many other such words, not least the unfortunate “Zen.” One may have the highest possible regard for the Japanese development of Ch’an, but Zen is that, and nothing else whatever. Moreover Ch’an is not dead, did not die when the doctrine was carried over to Japan; that piece if propaganda is no longer tenable now that we know of the great Ch’an Masters, including Han Shan who restored the monasteries, down to the grand old Master—Ancestor, as they call him—Hsu Yun who died last year at the age of 119. They preserved in far greater purity the teaching and methods of the ‘I’’ang Masters, and when we turn to them we find in them a revelation, and it is surely as inaccurate as it is absurd to apply to them and their teaching the Japanese term “Zen” which represents a tradition considerably different. Whatever propaganda and commerce may wish, serious students and scholars should use words in their proper sense.

As for terms such as “self-nature” that has rarely, if ever, anything to do with what we think of as “self,” for it indicates nothing personal, but subjective mind in the non-dual sense of subjectivity; the words “mind,” “One Mind,” “No-Mind,” etc. rarely have the objective meaning we normally give them, and just as wu nien does not just mean “no thought,” wu wei does not imply “inaction” but, rather, “spontaneity,” so “chih” does not usually mean “knowledge,” and “prajna” does not always or even perhaps often mean what we think of as “wisdom.”

If this is borne in mind the true sense of the words of the Awakened Masters will rapidly become clearer, and if we reread them every six months or so we will reap an even richer   harvest of understanding, until, finally, we too will have hilly and perfectly understood.


Ver online : WEI WU WEI – ASK THE AWAKENED


[1O Lama Anagarika Govinda a define variadamente como «visão interior». «consciência interior», «consciência espiritual». Sem de modo algum comparar uma definição com a sua, o sentido no qual o uso neste livro é apenas «consciência não-objetiva». Como substitutos para «meditação», «contemplação» e «concentração» são igualmente infelizes: qualquer um que compreenda verá imediatamente porque assim deve ser.

[2The Lama Anagarika Govinda defines it variously as “intuitive vision,” “inner awareness,” “spiritual awareness.” Without in any way comparing a definition with his, the sense in which I use it in this book is just non-objective awareness. As substitutes for “meditation”—“contemplation” and “concentration” are equally unhappy: anyone who understands will immediately see why this must be so.