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Stethatos Centúrias Físicas 21-30

terça-feira 29 de março de 2022

    

21. O espírito   do desejo e raiva   é passível de invadir as almas recentemente purificadas. Para fazer o que? Para balançar os frutos do Espírito Santo brotando dentro deles. Pois a alegria   da liberdade produz uma certa confusão   em tais almas; elas tendem a se exaltar sobre outras por causa   de sua grande liberdade e a riqueza   de seus dons, e também pensar   que alcançaram este grande palácio de paz   através de sua própria força e compreensão. Por conseguinte a Sabedoria   que ordena todas as coisas para o bem, e busca sempre atrair estas almas para si mesma por meio de seus dons e mantê-las inabaladas em sua humildade  , retira-se delas levemente e assim permite que este espírito de desejo e raiva as ataque  . Mergulhadas como resultado no medo da queda, elas uma vez mais mantêm a guarda sobre a bendita humildade; e, reconhecendo que são limitadas por carne   e sangue  , buscam de acordo com sua verdadeira natureza pela fortaleza interior onde pelo poder do Espírito Santo pode sustentar   a si mesmas intocadas.

22. A veemência de nossas provações e tentações depende do grau em que somos debilitados pelas paixões e infectados pelo pecado; e o cálice amargo do juízo   de Deus   varia de acordo. Se a natureza do pecado dentro de nós é tal que é facilmente tratado e curado — se, quero dizer, consiste de pensamentos que são auto-indulgentes ou mundanos — então o Curador de nossas almas em Sua compaixão   adiciona senão uma dose de compaixão ao cálice de provação   e tentação que Ele administra, posto que estes são meramente agruras humanas pelas quais somos afligidos. Mas se o pecado é mais profundo e difícil de Curar   — uma infecção letal de pretensiosos pensamentos arrogantes — então na agudeza de Sua ira Ele nos dá o cálice não diluído, de modo que, dissolvidos e refinados no fogo   de provações sucessivas e da humildade que induzem, a doença possa ser removida de nossa alma   e possamos lavar nossos pensamentos negros com lágrimas, assim nos apresentando puros na luz da humildade para nosso Curador.

23. Aqueles engajados no combate   espiritual podem escapar   do ciclo   de provação e tentação só por reconhecer   suas fraquezas, e a respeito deles mesmos como estranhos à retidão   e não merecedores de qualquer consolo, honra   ou repouso. Deus, o doutor das almas, nos deseja ser sempre humildes e modestos, destacados de nossos companheiros e imitadores de Seus sofrimentos. Pois Ele era «gentil e humilde no coração  » (Mt   11,29), e quer que persigamos o caminho   de Seus mandamentos com semelhante gentileza   e humildade de coração.

24. Humildade não é alcançada por meio de um pescoço magricela, cabelo esquálido, ou vestes amassadas, esfarrapadas e sujas, pelas quais geralmente os homens asseveram a soma total desta virtude. Ela vem de um coração contrito e um espírito de auto-rebaixamento. Como Davi disse, «Deus não menospreza um espírito contrito, e um coração humilde e contrito» (cf. Sal 51,19, LXX).

25. Falar humildemente é uma coisa, agir humildemente é outra, e estar interiormente humilde é ainda outra coisa. Através de todas as formas de dureza e através de trabalhos exteriores de virtude aqueles engajados em combate espiritual podem obter as qualidades de falar e agir humildemente, pois estas qualidades requerem nada mais que esforço corporal e disciplina. Mas porque a alma de tais pessoas frequentemente sentem falta de estabilidade interior, quando a tentação as confronta são facilmente balançadas. A humildade interior, por outro lado, é algo exaltado e divino, concedida através da morada   do Paracleto somente àqueles que passaram a metade do caminho espiritual — que atravessaram, quer dizer, através da ação em toda humildade, o caminho rigoroso da virtude.

26. A alma é tão perdida e oprimida quando a humildade interior como uma pedra   pesada penetrou em suas profundezas, que perde toda sua força por causa das lágrimas que derrama incontrolavelmente; enquanto o intelecto, limpo de todo pensamento enganador, alcança como Isaías à visão   de Deus. Sob aquela divina influência ela também confessa, «Quão abjeta sou   — perfurada até o coração; porque sou um homem   de lábios imundos, e habito entre pessoas de lábios imundos; e meus olhos viram o Rei, o Senhor das hostes» (Is 6,5).

27. Quando a habilidade   para falar humildemente está firmemente estabelecida dentro de ti, então não mais indulgenciarás em fanfarronices; quando ages espontaneamente em humildade de coração, então cessarás as falas humildes, sejam superficiais ou profundas; e quando estiveres enriquecido por Deus com a humildade interior então tanto humildade da ação externa e humildade da língua não mais terão qualquer lugar em ti. É como São Paulo disse: «Mas quando isso que é perfeito vem, que o que é parcial é com ele exterminado» (1Co 13,10).

28. A genuína humildade da fala é tão remota da genuína humildade da ação como o Oriente é do Ocidente. E como o céu ultrapassa a terra  , ou como a alma o corpo, de modo que a humildade interior dada aos santos através do Espírito Santo excede a genuína humildade da ação.

29. Não prontamente assuma que alguém que em aparência exterior e vestes, e na maneira de falar, parece ser humilde seja realmente humilde no coração; e não assuma — a não ser que tenhas posto em teste — que alguém que fala exaltadamente de coisas altas esteja cheio de fanfarronice e vaidade  . Pois «deverias conhecê-los por seus frutos» (Mt 7,16).

30. Os frutos do Espírito Santo são amor, alegria, paz, bondade, perseverança  , gentileza, fé, doçura, autocontrole (cf. Gal 5,22-23). Os frutos do espírito do mal são ódio, desânimo mundano, agitação da alma, coração perturbado, dolo, curiosidade, negligência, raiva, falta de fé, inveja  , glutonia, embriaguez, abusividade, censura, a luxúria dos olhos (cf. 1Jo 2,16), vanidade e pretensão da alma. Por estes frutos podes conhecer a árvore (cf. Mt 12,33), e desta maneira certamente reconhecerás que espécie de espírito tens de lidar. Uma indicação ainda mais clara destas coisas é dada pelo Senhor Ele mesmo quando diz, «Um bom homem do bom tesouro de seu coração retira boas coisas; e um homem mau do mau tesouro de seu coração retira coisas más» (Mt 12,35). Pois como a árvore, assim é o fruto  .


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