Página inicial > Medievo - Renascença > Máximo, o Confessor (580-662) > Máximo, o Confessor — Pai Nosso

CRISTOLOGIA BIZANTINA

Máximo, o Confessor — Pai Nosso

PHILOKALIA

sábado 30 de julho de 2022, por Cardoso de Castro

    

Excerto   de PHILOKALIA II

    

Escrito por volta de 630, esta carta de Máximo a um amigo em Cristo  , se apresenta como uma interpretação   da oração   do Pai   Nosso. Apresentamos excertos traduzidos da tradução inglesa da Philokalia  .


tradução

Se a finalidade do conselho divino   é a deificação de nossa natureza, e a meta dos pensamentos divinos é suprir os pré-requisitos de nossa vida, segue-se que deveríamos tanto conhecer como levar a efeito o poder do "Pai Nosso", e escrever   sobre isto de maneira adequada. E como v., escrevendo para mim, seu servo  , foi inspirado em menciona esta oração em particular, ela é necessariamente o assunto de minhas próprias palavras também; portanto eu suplico o Senhor, que nos ensinou esta oração, para abrir meu intelecto   de modo que este possa apreender os mistérios contidos nela,e dar-me as palavras condizentes com a tarefa de elucidar o que compreendi. Pois oculto dentro de um limitado campo   esta oração contém toda o propósito e objetivo que falamos; ou melhor, abertamente proclama este propósito e objetivo àqueles intelectos fortes o suficiente para percebê-los. A oração inclui petições para tudo que o Logos   divino efetivou através   de Seu auto-esvaziamento na encarnação, e nos ensina a esforçarmos por estas bençãos das quais o verdadeiro provedor é Deus   o Pai somente através da mediação natural do Filho no Espírito   Santo. Pois o Senhor Jesus é mediador   entre Deus e os homens, como afirma o divino apóstolo (I Tim 2,5), posto que Ele faz o Pai desconhecido   manifesto   aos homens através da carne  , e dá àqueles que foram reconciliados com Ele acesso ao Pai através do Espírito Santo   (Ef. 2,18). Foi em favor deles e para o bem deles que sem modificação   Ele se tornou homem  , e é agora o autor e mestre de tantos e tão grandes novos mistérios ainda além de nossa compreensão  .

Destes mistérios que Ele concedeu ao homem em Sua ilimitada generosidade, sete são de significância geral; e são estas cujo poder, como disse, permanece oculto dentro do Pai Nosso. Estas sete são a teologia, a adoção como filhos pela graça  , a igualdade com os anjos  , a participação   na vida eterna, a restauração   da natureza humana quando é reconciliada desapaixonadamente consigo mesma, a abolição da lei do pecado  , e a destruição da tirania que nos prende sob seu poder através da ilusão   do maligno.

Examinemos a verdade   do que falamos. A teologia nos ensinada pelo Logos de Deus encarnado, posto que Ele revela nEle mesmo o Pai e o Espírito Santo. Pois a totalidade do Pai e a totalidade do Espírito Santo estão presentes essencial e perfeitamente na totalidade do Filho encarnado. Eles, eles mesmos, não se tornaram encarnados mas o Pai aprovou e o Espírito cooperou quando o Filhos Ele mesmo efetivou Sua encarnação. Na encarnação o Logos preservou Seu intelecto e Sua vida não afetada ou diminuída: exceto pelo Pai e o Espírito Ele não foi compreendido na essência   por qualquer outro ser que seja, mas em Seu amor pelos homens foi unido hipostaticamente com a carne.

O Logos confere a adoção sobre nós   quando Ele nos concede este nascimento e deificação que, transcendendo a natureza, vem pela graça do alto através do Espírito. A guarda   e a preservação disto em Deus depende da resolução daqueles assim nascidos: da sincera aceitação da graça conferida sobre eles e, através da prática dos mandamentos, da cultivação deles da beleza a eles dada pela graça. Não obstante, pelo esvaziamento deles mesmos das paixões eles apropriam-se do divino no mesmo grau daquilo para o qual, deliberadamente esvaziando-se Ele mesmo de Sua sublime glória, o Logos de Deus verdadeiramente tornou-se homem.

O Logos fez o homem igual aos anjos. Não só Ele "fez a paz   através do sangue   de Sua Cruz . . . entre coisas na terra   e coisas no céu" (Col 1,10), e reduziu à importância dos poderes hostis que preenchem a região intermediária entre céu e terra, portanto fazendo a combinação festiva dos poderes terrestres e celestiais em uma única reunião para sua distribuição dos dons divinos, com a humanidade juntando-se alegremente com os poderes do alto em louvor unânime da glória de Deus; mas também depois do preenchimento   do propósito divino assumido em nosso favor, quando Ele foi ascendido com o corpo que havia assumido, Ele uniu céu e terra nEle mesmo, juntou o que é sensível   com o que é inteligível, e revelou a criação como um único todo cujos extremos estão ligados através da virtude   e através do conhecimento da primeira Causa   deles. Ele mostra, eu penso, através do que Ele realizou misticamente, que o Logos une o que está separado   e que a alienação do Logos divide o que está unido. Vamos aprender  , então, a esforçar-se   pelo Logos através da prática das virtudes, de modo que possamos ser unidos não só com os anjos através das virtudes, mas também com Deus no conhecimento espiritual através do desapego   das coisas criadas.

O Logos nos permite participar na vida divina fazendo-se Ele mesmo nosso alimento  , em uma maneira compreendida por Ele mesmo e por aqueles que receberam dEle uma percepção noética desta espécie. É por saborear este alimento que se tornam verdadeiramente conscientes que o Senhor é pleno   de virtude (Salmo   34). Pois Ele transmuta em divindade aqueles que dele se alimentam, realizando sua deificação, posto que Ele é o pão da vida e do poder tanto em nome e realidade  .

Ele restaura a natureza humana a si mesma. Primeiro, Ele se tornou homem e manteve Sua vontade desapegada e livre da rebelião   contra natureza, de modo que não vacilou nada em seu próprio   movimento   mesmo com relação   àqueles que o crucificaram; pelo contrário, escolheu a morte para benefício deles, ao invés da vida, assim demonstrando o caráter voluntário   de Sua paixão, enraizada como tal em Seu amor pela humanidade. Segundo, tendo pregado na Cruz o registro de nossos pecados (Col 2,14), Ele aboliu a inimizade que leva a natureza a enfrentar uma guerra   implacável contra si mesma; e tendo convocado aqueles distantes e aqueles próximos — ou seja, aqueles sob a Lei e aqueles fora — e tendo quebrado o muro obstrutivo — ou seja, tendo explicado a lei dos mandamentos em Seu ensinamento a ambas categorias de humanidade — Ele transformou o duplo em um novo homem, trazendo paz e nos reconciliando através dEle mesmo ao Pai e entre um e outro (Efe 2): nossa vontade não está mais em oposição ao princípio da natureza, mas aderimos a ele sem desviar   seja em vontade ou natureza.

Palmer, Sherrard, Ware

If the purpose of the divine counsel is the deification of our nature, and the aim of divine thoughts is to supply the prerequisites of our life, it follows that we should both know and carry into effect the power of the Lord’s Prayer, and write about it in the proper way. And since you, Sir, in writing to me your servant have been inspired by God to mention this prayer in particular, it is necessarily the subject of my own words as well  ; hence I beseech the Lord, who has taught us this prayer, to open my intellect so that it may grasp the mysteries contained in it, and to give me words equal to the task of elucidating what I have understood. For hidden within a limited compass this prayer contains the whole purpose and aim of which we have just spoken; or, rather, it openly proclaims this purpose and aim to those whose intellects are strong enough to perceive them. The prayer includes petitions for everything that the divine Logos effected through His self-emptying in the incarnation, and it teaches us to strive for those blessings of which the true provider is God the Father alone through the natural mediation of the Son in the Holy Spirit. For the Lord Jesus is mediator between God and men, as the divine apostle says (cf. 1 Tim; 2:5), since He makes the unknown Father manifest to men through the flesh, and gives those who have been reconciled to Him access to the Father through the Holy Spirit (cf. Eph. 2:18). It was on their behalf and for their sake that without changing He became man, and is now the author and teacher of so many and such great new mysteries as yet beyond our understanding.

[V2 287] Of these mysteries that He has granted to men in His boundless generosity, seven are of more general significance; and it is these whose power, as I have said, lies hidden within the Lord’s Prayer/ These seven are theology, adoption as sons by grace, equality ith the angels, participation in eternal life, the restoration of human nature when it is reconciled dispassionately with itself, the abolition of the law of sin, and the destruction of the tyranny that holds us in its power through the deceit of the evil one.

Let us examine the truth of what we have said. Theology is taught us by the incarnate Logos of God, since He reveals in Himself the Father and the Holy Spirit. For the whole of the Father and the whole of the Holy Spirit were present essentially and perfectly in the whole of the incarnate Son. They themselves did not become incarnate, but the Father approved and the Spirit co-operated when the Son Himself effected- His incarnation. At the incarnation the Logos preserved His intellect and His life unimpaired: except by the Father and the Spirit He was not comprehended in essence by any other being whatsoever, but in His love for men was united hypostatically with the flesh.

The Logos bestows adoption on us when He grants us that birth and deification which, transcending nature, comes by grace from above through the Spirit, The guarding and preservation of this in God depends on the resolve of those thus born: on their sincere acceptance of the grace bestowed on them and, through the practice of the commandments, on their cultivation .of the beauty given to them by grace. Moreover, by emptying themselves of the passions they lay hold of the divine to the same degree as that to which, deliberately emptying Himself of His own sublime glory, the Logos of God truly became man.

The Logos has made men equal to the angels. Not only did He ’make peace through the blood of His Cross . .. between things on earth and things in heaven’ (Col. 1:20), and reduce to impotence the hostile powers that fill in the intermediary region between heaven and earth, thereby making the festal assembly of earthly and heavenly powers a single gathering for His distribution of divine gifts, with humankind joining joyfully with the powers on high in unanimous praise of God’s glory; but also, after fulfilling the divine purpose undertaken on our behalf, when He was taken up with the body which He had assumed. He united heaven and earth in Himself, [V2 288] joined what is sensible with what is intelligible, and revealed creation as a single whole whose extremes are bound together through virtue and through knowledge of their first Cause. He shows, I think, through what He has accomplished mystically, that the Logos unites what is separated and that alienation from the Logos divides what is united. Let us learn, then, to strive after the Logos through the practice of the virtues, so that we may be united not only with the angels through virtue, but also with God in spiritual knowledge through detachment from created things.

The Logos enables us to participate in divine life by making Himself our food, in a manner understood by Himself and by those who have received from Him a noetic perception of this kind. It is by tasting this food that they become truly aware that the Lord is full of virtue (cf. Ps. 34:8). For He transmutes with divinity those who eat it, bringing about their deification, since He is the bread of life and of power in both name and reality.

He restores human nature to itself. First, He became man and kept His will dispassionate and free from rebellion against nature, so that it did not waver in the slightest from its own natural movement even with regard to those who crucified Him; on the contrary, it chose death for their sake instead of life, thereby demonstrating the voluntary character of His passion, rooted as it is in His love for humankind. Second, having nailed to the Cross the record of our sins (cf. Col. 2:14), He abolished the enmity which led nature to wage an implacable war against itself; and-having summoned those far off and those near at hand — that is, those under the Law and those outside it — and having broken down the obstructive partition-wall — that is, having explained the law of the commandments in His teaching to both these categories of humankind — He formed the two into one new man, making peace and reconciling us through Himself to the Father and to one another (cf. Eph. 2:14-16): our will is no longer opposed to the principle of nature, but we adhere to it without deviating in either will or nature.


Ver online : MÁXIMO, O CONFESSOR