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O mundo como vontade e como representação. Segundo Tomo.

Schopenhauer (MVR2:288-289) – identidade da pessoa

Suplementos Livro II Capítulo 19

mardi 14 septembre 2021

[Excerto de SCHOPENHAUER, Arthur. O mundo como vontade e como representação. Segundo Tomo. Suplementos aos quatro livros do primeiro tomo. Tradução, Apresentação, Notas e índices Jair Barboza. São Paulo : Unesp, 2015, p. 288-289]

10) Em que se baseia a IDENTIDADE? DA PESSOA? ? — Não? na matéria? do corpo? : esta é outra após alguns poucos anos. Não na forma? dele : esta muda no todo? e em cada uma das suas partes ; exceto na expressão? dos olhos, pela qual, por conseguinte, mesmo depois de muitos anos, ainda reconhecemos uma pessoa ; o que demonstra que, apesar de todas as mudanças nela produzidas pelo tempo?, ainda assim algo permanece completamente intocado : precisamente aquilo que, por mais longa que seja a ausência?, faz com que a reconheçamos e nela reencontremos quem era outrora ; o mesmo se passa conosco : pois por mais velhos que nos tornemos, ainda assim sentimo-nos no íntimo como aquele que por inteiro éramos na juventude, sim, até mesmo quem éramos quando criança. Isto, o inalterado e que sempre permanece absolutamente o mesmo sem envelhecer é justamente o núcleo do nosso ser?, que não está no tempo. — Acredita-se que a identidade da pessoa baseia-se na da consciência?. Se, entretanto, entende-se por esta meramente a recordação coerente do decurso de vida? ; então não basta. Em todo caso, sabemos algo mais do nosso decurso de vida do que de um? romance outrora lido ; no entanto, esse? algo mais é bem? pouca coisa?. Os principais eventos, as cenas interessantes ficaram marcados : porém, para uma única ocorrência? que foi conservada milhares de outras foram esquecidas. Quanto mais avançamos na idade tanto mais as coisas? escapam-nos sem deixar vestígios. Envelhecimento, doença?, lesão cerebral, loucura? podem roubar completamente a memória?. Mas a identidade da pessoa não se perdeu com isso. Esta baseia-se na VONTADE? idêntica e no seu caráter? imutável. É precisamente ela que torna inalterável a expressão dos olhos. É no CORAÇÃO? que encontramos o ser humano?, não na cabeça. É certo que, em consequência? da nossa relação? com o mundo? exterior?, estamos acostumados a considerar o sujeito? do conhecer, o eu? que conhece, como o nosso si mesmo propriamente dito?, que à noite se cansa, no sono desaparece, pela manhã resplandece com renovadas forças. Contudo, isso é a mera função? cerebral, não o nosso próprio? si mesmo. Nosso verdadeiro? si mesmo, o núcleo do nosso ser é o que se encontra atrás disso e nada? conhece propriamente dizendo senão querer e não querer, estar? satisfeito ou insatisfeito, com todas as modificações dos movimentos que denominamos sentimentos?, afetos e paixões. Eis aí o si mesmo que produz aquele outro? ; não dorme, quando o outro dorme, e também permanece intocado, enquanto aquele outro desaparece com a morte?. — Por outro lado, tudo o que pertence ao conhecimento? está sujeito ao esquecimento? : às vezes, após anos, não podemos recordar completamente , nem mesmo das ações? de significado? moral? e não sabemos de modo? preciso e detalhado como nos comportamos num caso crítico. Contudo, do CARÁTER MESMO, do qual os atos dão simples? testemunho?, não podemos esquecê-lo : ele é agora? exatamente igual ao que era antes. A vontade mesma, só e por si, permanece : pois apenas ela é imutável, indestrutível, não envelhece, não é física? mas metafísica?, não pertence à aparência? mas é o que aparece mesmo.


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