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O mundo como vontade e como representação. Segundo Tomo.

Schopenhauer (MVR2:313-314) – corpo = objetivação da vontade

Suplementos Livro II Capítulo 20

mardi 14 septembre 2021

[Excerto de SCHOPENHAUER, Arthur. O mundo como vontade e como representação. Segundo Tomo. Suplementos aos quatro livros do primeiro tomo. Tradução, Apresentação, Notas e índices Jair Barboza. São Paulo : Unesp, 2015, p. 313-314]

Acima reconhecemos o sistema? nervoso cerebral como um? ÓRGÃO? AUXILIAR da vontade?, no qual esta, por conseguinte, objetiva-se SECUNDARIAMENTE. Aqui, o sistema cerebral, embora não? intervindo diretamente no âmbito das funções vitais do organismo?, mas só guiando as suas relações com o exterior?, tem todavia no organismo a sua base e é alimentado por ele como pagamento dos seus serviços ; logo, assim como a vida? cerebral ou animal? deve ser? vista como produto da vida orgânica, também o cérebro e sua função?, o conhecer, logo, o intelecto?, pertencem mediata e secundariamente à aparência? da VONTADE [Erscheinung des Willens = aparição da vontade] : também nele a vontade objetiva-se e, é verdade?, como vontade de percepção? do mundo? exterior, logo, como um QUERER-CONHECER. Por consequência?, por maior e fundamental que seja a diferença? entre o querer e o conhecer ; o último? substrato? dos dois permanece no entanto o mesmo, a saber?, a VONTADE como a essência? em si de toda a aparência ; o conhecer, entretanto, o intelecto, que se expõe na consciência? de si inteiramente como secundário, deve ser visto não apenas como acidente? da vontade, mas também como sua obra, e assim há de novamente reconduzir a ela através de um desvio?. Assim como o intelecto apresenta-se fisiologicamente como a função de um órgão do corpo? ; metafisicamente deve ser visto como uma obra da vontade, cuja objetivação?, ou visibilidade, é o corpo todo?. Logo, a vontade de CONHECER, objetivamente intuída, é o cérebro ; assim como a vontade de ANDAR, objetivamente intuída, é o pé ; a vontade de AGARRAR, a mão ; a vontade de DIGERIR, o estômago ; de PROCRIAR, os genitais, e assim por diante. Toda essa objetivação existe em última instância? só para o cérebro, como sua intuição? : nesta, a vontade expõe-se como corpo orgânico?. Mas, [II 294] na medida? em que o cérebro CONHECE, não é ELE MESMO conhecido ; porém, é o QUE CONHECE, o sujeito? de todo conhecimento?. Porém, na medida em que o cérebro SE TORNA CONHECIDO na intuição objetiva, isto é, na consciência de OUTRAS COISAS?, logo, secundariamente, pertence ele, como órgão do corpo, à objetivação da vontade. Pois todo o processo? é o CONHECIMENTO DE SI DA VONTADE, começa a partir desta e retorna a ela, e constitui aquilo que Kant? denominou aparência, em oposição? à coisa? em si. Conseguintemente, o que SE TORNA CONHECIDO, o que SE TORNA REPRESENTAÇÃO?, é a VONTADE : e essa representação é o que denominamos CORPO, o qual existe como algo extenso espacialmente e que se [313] movimenta no tempo? por intermédio unicamente das funções do cérebro, logo, apenas neste. Por outro? lado, o que CONHECE, o que POSSUI AQUELA REPRESENTAÇÃO, é o CÉREBRO, que entretanto não conhece a si mesmo, porém torna-se consciente? de si mesmo apenas como intelecto, isto é, como algo QUE CONHECE, logo, apenas subjetivamente. O que, quando visto de dentro, é faculdade? de conhecimento, é, quando visto de fora, o cérebro. Esse? cérebro é uma parte? justamente daquele corpo, porque o cérebro mesmo pertence à objetivação da VONTADE, ou seja, o QUERER-CONHECER desta, a sua orientação? para o mundo exterior está nele objetivada. Nesse sentido?, o cérebro, portanto, o intelecto, é imediatamente condicionado pelo corpo, e este por sua vez pelo cérebro, — contudo, o corpo é condicionado pelo cérebro apenas mediatamente, a saber, como algo espacial e corpóreo, no mundo da intuição, não em si mesmo, isto é, como vontade. Portanto, o todo é em última instância a vontade, que se torna representação para si mesma, e é aquela unidade? que expressamos por “eu?”. O cérebro mesmo, na medida em que É REPRESENTADO, — logo, na consciência de outras coisas, portanto, secundariamente, — é apenas representação. Em si mesmo no entanto e na medida em que REPRESENTA, ele é a vontade, porque esta é o substrato real? de toda a aparência : o querer-conhecer da vontade objetiva-se como cérebro e funções cerebrais. — Podemos ver a pilha voltaica como parábola?, imperfeita é verdade, todavia em certa mediada ilustrativa, do ser da aparência humana tal como este foi aqui considerado : os metais, junto com o fluido, seriam o corpo ; a ação? química, como base de todo o fazer-efeito?, seria a vontade, e a tensão? elétrica daí resultante, que produz [II 295] descarga e faísca, o intelecto. Contudo, omne simile claudicat. [1]


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[1“Toda comparação coxeia.” (N. T.)