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Schopenhauer e os anos mais selvagens da filosofia

Safranski (SB:379-380) – a vontade em Schopenhauer

mardi 14 septembre 2021

[Excerto de SAFRANSKI, Rüdiger. Schopenhauer e os anos mais selvagens da filosofia. Uma biografia. Tr. William Lagos. São Paulo : Geraçau Editorial, 2011, p. 379-380]

A “filosofia? da reflexão?”, que desenvolvia a totalidade? da vida? humana e da natureza? a partir das estruturas identificadas no espírito?, iniciada por Fichte? e chegando até Hegel? com intensidade? crescente, havia atribuído ao processo? histórico? a tarefa? de levar o espírito a descobrir-se a si mesmo. A história? humana foi interpretada como a realização da verdade? : o caminho do espírito, seu avanço ininterrupto, que se distancia através do encadeamento contínuo? das imagens e configurações de suas realizações sucessivas até se reencontrar novamente em um? nível superior? mediante o trabalho? dos conceitos? e o labor? da história, ascendendo incessantemente de um patamar a outro?. Os eventos da história eram interpretados deste modo? como momentos progressivos de processos históricos determinados ; estes somente podiam ser? entendidos por empatia?, mediante uma espécie? de revelação?, com seu próprio? significado? e captados em um momento? de autoapropriação. Schopenhauer? posicionou-se de forma? diametralmente oposta com relação? a esta ideologia? ; seu pressuposto? era tão distante deste quanto possível? : a vontade?, que se encontra na base de tudo, não? é absolutamente um espírito em processo de autorrealização, porém um impulso? cego, incessante, sem meta e devorador de si mesmo, sem deixar transparecer através de si nenhum impulso diretor, nenhum pensamento? deliberado, sem sequer apresentar o menor sentido?. O real? (Wirklich) não está regido pela razão?, mas inteiramente dominado por esse? tipo? de “vontade”. Napoleão, o causador final de todas as grandes devastações provocadas sobre Dresden, a cidade? tão amada por Schopenhauer, constituía para o filósofo? um exemplo? excelente dessa vontade, que se revelava destrutiva simplesmente por ser indiferente?. “Na realidade?, Bonaparte não é pior do que muitos homens, quiçá não seja pior do que a maioria. Ele apresenta esse grande Egoismus que é costumeiro e habitual à maioria das pessoas, ou seja, o de buscar o próprio bem? à custa dos demais. O que o distinguiu foi somente a maior força? de que dispôs a fim? de alcançar a satisfação? dessa vontade. [...] O fato? de que possuísse uma força assim incomum permitiu que manifestasse toda a maldade? da vontade humana ; e os sofrimentos que acarretou à sua época? são apenas a outra face necessária da moeda, manifestando igualmente toda a desolação a que esta indissoluvelmente ligada a vontade maligna, da qual o mundo? é a manifestação? total e irrestrita.” [1]


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[1Frühe Manuskripte, p. 202. (NA).