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O Mundo como Vontade e como Representação Tomo I

Schopenhauer (MVR1:402) – Vontade no corpo vivo como mandamento de alimentação

Livro IV, §57

mardi 14 septembre 2021

[SCHOPENHAUER, Arthur. O mundo como vontade e como representação. Primeiro Tomo. Tr. Jair Barboza. São Paulo : Editora UNESP, 2005, p. 402]

Entretanto, o esforço? contínuo? que constitui a essência? de cada fenômeno? da Vontade? adquire nos graus mais elevados de objetivação? dela seu primeiro e mais universal? fundamento?, pois, aqui, a Vontade aparece num corpo? vivo com o seu mandamento férreo de alimentação. O que dá força? a este mandamento é justamente que o corpo é apenas a Vontade de vida? mesma, objetivada. O homem?, como objetivação perfeita da Vontade, é, em conformidade com o dito?, o mais necessitado de todos os seres. Ele é querer concreto? e necessidade? absoluta, é uma concretização de milhares de necessidades. Com estas, encontramo-lo sobre a face da terra? abandonado a si mesmo, incerto sobre tudo, menos em relação? à sua carência? e miséria. Em conformidade com isso, os cuidados pela conservação daquela existência?, em meio? a exigências tão severas que se anunciam todos os dias, preenchem via de regra? toda a vida do homem. A isso logo se conecta imediatamente uma segunda exigência, a da propagação da espécie?. Entrementes, ameaçam-no de todos os lados perigos os mais variados, para escapar dos quais precisa de contínua vigilância. Com passo cuidadoso, tatear angustiante, segue o seu caminho, enquanto milhares de acasos, milhares de inimigos lhe preparam emboscadas. Assim já caminhava no estado? selvagem, assim caminha agora? na vida civilizada ; não? há segurança alguma para ele.

Qualibus in tenebris vitae, quantisque periclis
Degitur hocc’ aevi, quodcunque est !
Lucr., II, 15. [1]

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[1“Ah, em que trevas da existência, em que grandes perigos, / É a vida despendida, pelo tempo em que dura.” (N. T.)