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A Vida Contemplativa

Watts (VC:I-1) – Símbolos

Parte 1 - I — A Época do Espírito

terça-feira 29 de março de 2022, por Cardoso de Castro

    

Afinal, o mais importante sobre Cristo   não é a sua aparência exterior, mas o seu caráter interior. Assim, da mesma forma, o importante sobre os eventos não é como se verificam, mas sim o que significam. Seria, sem dúvida, possível dizer-se que, mesmo que toda a história de Cristo e todos os dogmas da Igreja   a seu respeito fossem puro mito  , seria, não obstante, um mito implantado na alma   humana por Deus  , surgido da inconsciência racial sob a direção   do Espírito Santo  . Ter-se-ia também de dizer que o mito era obra de Deus e não um sonho   puramente subjetivo de concretização de um desejo de origem estritamente humana.

    

Celso Mayer

Inicialmente, vejamos algumas das tendências que requerem síntese. Comecemos, obviamente, pela tese e a antítese que têm, até agora, dominado a nossa cultura — o catolicismo, de um lado, e o humanismo e o protestantismo, de outro. Essas doutrinas representam, respectivamente, o mythos   da vida, que está na origem da nossa cultura, uma apreensão   simbólica de revelação das mais profundas realidades espirituais, e o movimento   negativo que destrói a «casca» exterior do mythos a fim de que possamos ter consciência   do seu conteúdo interior. Entre esses dois   elementos   opostos  , há outros problemas nem sempre ou necessariamente considerados, mas não menos fundamentais para a nossa cultura e para a vida humana em geral.

Há a tensão já mencionada entre a santidade   e a existência   física, que é expressa pelo conflito entre o misticismo   ascético católico medieval e o humanismo, ou entre o puritanismo protestante e o romanticismo liberal. Justamente aí está o problema moral básico da vida cristã. Relacionada com ele está a oposição do transcendentalismo e do imanentismo, que encontra expressão   em todo um complexo   de conflitos: teologia oficial versus misticismo, espiritualismo versus sacramentalismo, catolicismo tradicional versus humanismo e maniqueísmo versus a religião da Encarnação  . Embora tenham recebido toda a atenção   tanto dos filósofos modernos como dos medievais, as soluções oferecidas são mais de transigência do que de síntese.

Há, ainda, a tensão familiar entre a lei e a graça  , as obras e a fé, a disciplina e a espontaneidade, a técnica   e a inspiração — a síntese das quais é da maior importância para a existência da moral e da vida espiritual. Aliado a essa tensão, assim como também à oposição do transcendentalismo e do imanentismo, há um outro complexo   de tensões: entre a religião formal e a religião sem formalidade, entre o culto ritual, litúrgico e a simples «prática da presença   de Deus  », entre a vida em função da religião e a religião em função da vida.

A filosofia e a teologia sozinhas jamais resolverão esses problemas; podem, quando muito, ser bem sucedidas somente enquanto forem os instrumentos da vida mística, da realização   da união   com Deus. Aí reside, portanto, o trabalho   supremo da época à nossa frente — a compreensão interior dos grandes símbolos cristãos de que a vida divina que contêm pode vir a se tornar consciente, de que o mythos católico pode revelar os segredos da união com Deus. Para que não haja qualquer mal-entendido, é bom que fique perfeitamente claro que o uso dos termos «símbolo» e «mythos» não implica que o dogma   cristão seja mero símbolo e mero mito. Não estamos sugerindo que a interpretação   literal da Fé deva ser substituída por uma interpretação mística, mas que o elemento místico deve ser extraído do litoral e coexistir com este último. Não estamos preocupados em debater aqui a historicidade dos grandes eventos da vida de Cristo  , nem se Ele era ou não, de fato, a encarnação do Filho   de Deus. Mesmo que se aceitem todos esses eventos e todas as afirmações da Igreja   sobre Cristo como realmente verdadeiros, eles não deixam, entretanto, de ser símbolos; são eventos simbólicos que revelam a natureza de Deus e o modo pelo qual o homem   realiza a união com Ele.

Afinal, o mais importante sobre Cristo não é a sua aparência exterior, mas o seu caráter interior. Assim, da mesma forma, o importante sobre os eventos não é como se verificam, mas sim o que significam. Seria, sem dúvida, possível dizer-se que, mesmo que toda a história de Cristo e todos os dogmas da Igreja a seu respeito fossem puro mito, seria, não obstante, um mito implantado na alma   humana por Deus, surgido da inconsciência racial sob a direção   do Espírito Santo  . Ter-se-ia também de dizer que o mito era obra de Deus e não um sonho   puramente subjetivo de concretização de um desejo de origem estritamente humana. [1]

Uma quantidade enorme de energia espiritual foi gasta e a unidade   cristã perdida em debates sobre se esses eventos simbólicos haviam realmente acontecido. Admite-se que se trata de um assunto importante; muito mais importante, no entanto, é compreender o seu significado. E se os incrédulos pudessem ser esclarecidos quanto ao sentido interior desses eventos, estariam assim muito mais preparados do que de outro modo para aceitar   a sua veracidade real.

A finalidade geral do símbolo e do mythos, que é o sistema de símbolos, consiste em conduzir-nos até o próprio Deus, da mesma forma que a finalidade da linguagem é expressar um sentido e não apenas palavras. Deus — o Sentido tanto do Universo   como do mythos — tem vida; como o vento  , a água corrente, o fogo  , Ele não pode ser contido em uma forma rígida. Assim, a forma simbólica contém a vida de Deus tanto quanto uma bolota contém um carvalho. Com o tempo, se a bolota não estiver seca, morta, sua casca se romperá, dando nascimento a uma árvore, que se desenvolverá e não mais poderá ser encerrada em uma noz. Deus, analogamente, dá Sua vida aos homens através dos símbolos e dos sacramentos, mas se essa vida é para ser verdadeiramente vivida, não pode permanecer confinada nessas formas ou em quaisquer outras; ela usará formas, expressar-se-á através de formas, mas não será mantida nessas formas.

Aí reside a grande dificuldade   de se passar do símbolo e da ideia para o próprio Deus. Acontece que Deus é pura vida e nós nos sentimos aterrorizados com tal vida, porque não podemos segurá-la ou possuí-la e não sabemos o que ela fará conosco. «É terrível cair nas mãos do Deus vivo». Em vista disso, estamos sempre procurando possuí-lo, seja sob certa forma de sentimento   exaltado ou talvez através de alguma pequena e simples fórmula teológica, ou ainda mediante um ato ritual que possamos realizar — ou abandonar. Dessa mesma forma, estamo-nos sempre apegando ferozmente à vida, protegendo-nos com todos os tipos de convenções, elementos de segurança, hábitos rotineiros, preconceitos e esperanças. Mas, quanto mais nos apegamos, mais deixamos de viver  ; quanto mais diligentemente evitamos a morte, mais, na verdade, evitamos a vida. Temos receio da verdade de que estamos sendo arrastados pela vida de Deus, como em uma forte   torrente, que nos arrebata de nós mesmos, levando-nos para o oceano do próprio Deus. Em consequência, agarramo-nos desesperadamente aos troncos flutuantes ou nadamos com todas as nossas forças contra a corrente, sem ver que isso resulta em nada a não ser em nosso próprio desconforto e exaustão.

O símbolo revela Deus, mas, quando usado indevidamente, O esconde. Uma ideia, uma doutrina, um sacramento, um exercício espiritual ocultam Deus quando os usamos como um meio de retê-Lo, isto é, quando os usamos como uma técnica conveniente e confortável de obtenção da santidade, por imitação  . A religião, usada desse modo, transforma-se em uma série de ideias, sentimentos, boas ações convencionais e espiritualidade também convencional, completamente divorciados da vida real, o que por um lado quer dizer Deus e, por outro, as ações quotidianas: andar, comer, respirar, plantar batatas, escrever   cartas, olhar os pássaros, amar   a esposa e os filhos e. . . tomar banho. «Cada momento», escreveu Dom John Chapman, «é uma mensagem da vontade de Deus; cada evento exterior, tudo que ocorre fora de nós mesmos, e até mesmo cada pensamento   e sentimento involuntário   dentro de nós é um toque do próprio Deus». Temos, entretanto, medo desse toque, pois pode queimar, pode matar. Em vista disso, deixamo-lo circunscrito em um modelo religioso convencional. Ao invés de nos entregarmos total e abertamente à posse mística de Deus, à realidade, e ao invés de nos confiarmos ao Espírito vivo como ele se dá a nós a cada momento, apegamo-nos desesperadamente a esses símbolos e ídolos, estabelecendo outros de nossa própria feitura quando os antigos se quebram.

O símbolo é a semente   da vida divina e como o próprio homem é também uma semente, uma criança   sob a proteção de sua mãe, ele precisa ter um símbolo; e esse símbolo deve continuar a existir porque sempre haverá almas necessitando de religião sob essa forma. Para os milhares e milhares de almas que vivem no mundo moderno e que já ultrapassaram aquele estágio, aquilo que o Evangelho diz que é verdade com relação à semente também o é no simbolismo católico — «Em verdade eu vos digo que, se o grão de trigo  , caindo por terra  , não morre, fica estéril; mas, se morre, produz muito fruto  ». Ou então, segundo as palavras de São Paulo  : «O que tu semeias não pode vicejar, senão depois que tiver morrido».

Para o literalista, o obscurantista, o idolatra de símbolos, isso é sem dúvida chocante. Os discípulos de Cristo ficaram igualmente chocados quando Ele se comparou ao grão de trigo que devia morrer  . «Ouvimos dizer», protestaram, «que Cristo subsistiria para sempre; como então disseste que o Filho do Homem   deve ser exaltado?» Nós também ouvimos dizer que a fé católica, interpretada e compreendida «oficialmente», será sempre a mais completa exposição dos mistérios de Deus que podem ser encontrados na terra. Isso é realmente verdadeiro desde que se acrescente — a mais completa exposição simbólica. Mas para inúmeras almas — não todas — esses símbolos devem morrer ou já morreram para o fruto do seu significado, para que possam liberar a vida de Deus que existe em seu interior. Assim, as perdas, os ataques, o enfraquecimento da fé que a Igreja tem sofrido são uma parcela da Paixão de Cristo. A fé dos cristãos, sob as rígidas formas do dogma, é abalada e despedaçada para que seu conteúdo vivo possa ser descoberto — para que através da sua morte corpórea a Igreja e a sua fé possam «renascer   com Cristo» em um corpo espiritualizado, pois o corpo mortal está para o corpo da Ressurreição   assim como a fé simbólica está para a realização mística.

Os símbolos são destruídos para nós pela misericórdia   de Deus, a fim de que não nos sintamos satisfeitos com coisa alguma a não ser a Sua própria essência divina, por mais sagrado   que isso seja. Até a divina humanidade de Cristo teve de ser destruída na cruz, e os símbolos dogmáticos da Igreja não são mais sagrados do que isso. Ao chegar o tempo da destruição, a oportunidade   que se oferece é totalmente perdida se sairmos apressadamente em busca de novos símbolos ou se tentarmos refazer os antigos. Tem sido necessário para o homem ocidental e para a Cristandade suportar essa paixão até o fundo amargo do «Senhor, Senhor, por que me abandonaste», até sentir que sua vida não tem absolutamente significado. Assim como a Igreja revive a vida de Cristo através do ano litúrgico, também a revive, repetidamente, de forma espiritual; e como Cristo foi crucificado e sua divina humanidade ressuscitou e subiu ao céu, assim os símbolos dogmáticos são destruídos apenas para renascerem espiritualizados e ascenderem a um nível superior de significação. «É conveniente para vós que eu vá porque, se não for, o Paráclito não virá a vós; mas se eu for, eu vo-lo enviarei... Quando vier aquele Espírito da verdade, ele vos há de ensinar   toda a verdade».

Original

Let us look, first, at some of the trends demanding synthesis  . We begin, obviously, with the thesis   and the antithesis which have dominated our culture to this point—Catholicism on the one hand and Humanism and Protestantism on the other. These represent respectively the life-giving mythos which is at the root of our culture, a symbolic apprehension of revelation of the deepest spiritual realities, and the negative movement which destroys the outward shell of the mythos in order that we may be conscious of the inner content. Within these two complementary opposites there are others, not always or necessarily coterminous with them, but none the less fundamental problems for our culture and for human life as a whole.

There is the tension already mentioned between holiness and physical existence, which is expressed in the conflict between mediaeval Catholic ascetic-mysticism and Humanism, or between Protestant puritanism and liberal romanticism. Herein lies the basic moral problem of Christian life. Related to it is the opposition of transcendentalism and immanentism, finding expression in a whole complex of conflicts—official theology versus mysticism, spiritualism versus sacramentalism, traditional Catholicism versus Humanism, Manichaeism versus the religion of the Incarnation. While it has received full attention from both mediaeval and modern philosophers, the solutions offered are of the nature of compromise rather than synthesis.

Again, there is the familiar tension between law and grace, works and faith, discipline and spontaneity, technique and inspiration, a synthesis of which is of the utmost importance for the living of the moral and spiritual life. Allied to it, as well   as to the opposition of transcendentalism and immanentism, is another complex of tensions—between formal religion and formless religion, between liturgical, ritual worship and the simple “practice of the presence of God,” between life lived in terms of religion and religion lived in terms of life.

Philosophy alone, theology alone, will never solve these problems; they can succeed only in so far as they are the instruments of the mystical life, of the realization of union with God. There remains, then, the supreme work of the epoch that lies ahead—the interior understanding of the great Christian symbols that the divine life which they contain may become conscious, that the Catholic mythos may reveal the secrets of union with God. Lest there be any misunderstanding, it must be made perfectly clear that in using the terms “symbol” and “mythos” we do not imply that Christian dogma is mere symbol and mere myth. We are not suggesting that the literal interpretation of the Faith should be replaced by a mystical interpretation, but that the mystical must come out of the literal and exist in addition to it. We are not concerned to discuss here the historicity of the great events of the life of Christ, nor whether or not he was in fact the incarnate Son of God. Granting all those events and all the claims which the Church makes for Christ to be factually true, they are still symbols. They are symbolic events revealing the nature of God and of the way in which man realizes union with God.

After all, the important thing about Christ was not his exterior appearance but his inner character. So, too, the important thing about events is not how they happened but what they mean. Indeed, it could possibly be maintained that even if the whole story of Christ and all the dogmas of the Church about him were pure myth, none the less it would be a myth implanted in the human soul by God, arising out of the racial unconscious under the guidance of the Holy Spirit. But it still would have to be maintained that the myth was the work of God, and not a purely subjective wish-fulfilment dream of strictly human origin. An enormous amount of spiritual energy is wasted and Christian unity lost in argument as to whether these symbolic events actually happened. Granted that this is an important question; but it is so much more important to understand what they mean, and if unbelievers could be enlightened as to the inner meaning of these events they would be far more ready than otherwise to accept their factual truth.

The whole purpose of the symbol and the mythos, which is the system of symbols, is to lead us to God himself, just as the purpose of language is to convey meaning and not mere words. God—the Meaning alike of the universe and the mythos—is alive; like wind, like moving waters, like fire, he cannot be grasped in some rigid form. Thus the symbolic form conveys the life of God as the acorn conveys an oak. In time, if the acorn is alive, its shell will burst; the living tree will grow out of it, and refuse to be enclosed in a shell any more. Likewise, God gives his life to men in symbols and sacraments, but if that life is to be truly lively, it will not stay confined in those forms or in any others. It will use forms; it will express itself in forms; but it will not be held in forms.

Herein is the great difficulty in passing from the symbol and the idea   to God himself. It is that God is pure life, and we are terrified of such life because we cannot hold it or possess it, and we do not know what it will do to us. “It is a terrible thing to fall into the hands of the living God.” Therefore we are always trying to possess God, it may be in some state of exalted feeling, or perhaps in some neat little theological formula, or even in a ritual act which we can perform—or leave alone. In just the same way we are always hanging on grimly to our own lives, protecting ourselves with all kinds of conventions, securities, habit-mechanisms, prejudices and hopes. But the more we hang on, the more we fail to live. The more sedulously we avoid death, the more certainly we avoid life. We are scared stiff to awaken to the truth that we are being swept along by the life of God as in a mighty torrent; that it sweeps us away from our possessions and our very selves to carry us out to the ocean of God himself. Therefore we cling desperately to floating logs or swim with all our might against the stream, not seeing that this effects nothing but our own discomfort and exhaustion.

The symbol reveals God, but wrongly used it hides him. An idea, a doctrine, a sacrament, a spiritual exercise hides God when we use it as a means to hold him—that is, when we use it monkey-fashion as a comfortable and convenient technique for acquiring sanctity by imitation. Used in this way religion becomes a series of conventional ideas, conventional feelings, conventional spirituality and conventional good deeds utterly divorced from real life, which is to say God on the one hand, and on the other—walking, eating, breathing, digging potatoes, writing letters, watching birds, feeling sick, loving your wife and children, and taking a bath. “Every moment,” wrote Dom John Chapman, “is the message of God’s will; every external event, everything outside us, and even every involuntary thought and feeling within us is God’s own touch.” But we are scared of that touch; it may burn; it may kill. Therefore let it be circumscribed in a conventional religious pattern. Instead of laying ourselves open to full mystical possession by God the reality, instead of trusting ourselves to the living Spirit as he gives himself to us in every moment, we cling desperately to these symbols and idols, setting up new ones of our own making when the old are broken.

The symbol is the seed of the divine life, and so long as man is himself a seed, a child in his mother’s protection, he must have the symbol. And the symbol must continue to exist because there will always be souls needing their religion in this form. But for the thousands and thousands of souls living in the modern world who have passed beyond that stage, what is true of the seed in the Gospel   is true of the Catholic symbolism—“Except a grain of corn fall into the ground and die, it abideth alone. But if it die, it bringeth forth much fruit.” Or, in the words of St. Paul, “That which thou so west is not quickened, except it die.”

To the literalist, the obscurantist, the idolater of symbols, that is of course shocking. Yet the disciples of Christ were similarly shocked when he likened himself to the grain of corn that must die. “We have heard out of the law,” they protested, “that Christ abideth for ever: and how sayest thou, The Son of Man must be lifted up?” We, too, have heard from the “law” that the Catholic faith as interpreted and understood “officially” will remain for ever the most complete exposition of the mysteries of God that may be found on earth. That is true enough if we add—the most complete symbolic exposition. But for countless souls—not for all—those symbols must die or have already died that they may bear the fruit which is their own meaning, that they may release the life of God which is in them. Thus the losses, the attacks, the weakening of faith, which the Church has suffered are a sharing in the Passion of Christ. The faith of Christians in the rigid symbolic forms of dogma is shaken and shattered that their living content may be discovered—that through this bodily death the Church and its faith may “rise with Christ” in a spiritualized body. For as the mortal body is to the body of the Resurrection, so is symbolic faith to mystical realization.

Symbols are destroyed for us through the mercy of God in order that we may not rest content with anything less than his own divine essence, however holy that thing may be. Even the divine humanity of Christ had to be destroyed on the Cross, and the dogmatic symbols of the Church are not more holy than that. When the time of destruction comes the opportunity which it offers is altogether missed if one grasps around for new symbols or tries to patch up the old. It has been necessary for Western man, for Christendom, to go through with this passion to the bitter depth of “My God, my God, why hast thou forsaken me,” to the sense that his life is utterly meaningless. For just as the Church relives the life of Christ through the liturgical year, so the Church relives it again and again in the spirit. Thus as Christ was crucified, and as his divine humanity rose again and ascended into heaven, so the dogmatic symbols are destroyed only to rise again spiritualized and to ascend to a higher level of meaning. For “it is expedient for you that I go away: for if I go not away, the Comforter will not come unto you; but if I depart, I will send him unto you.… When he, the Spirit of truth, is come, he will guide you into all truth.”


Ver online : ALAN WATTS


[1É estranho que os protestantes liberais, que negam a historicidade de eventos tais como a Ressurreição e a Concepção Espontânea, assim como a Divindade de Cristo, jamais tenham compreendido essa teoria. Eles ainda insistem em basear sua religião em fatos históricos, por mais pobres que sejam. Contudo, a fim de dar sentido à sua muito empobrecida forma de religião (o que pareciam pretender), os protestantes liberais são logicamente propensos a mostrar não somente que o catolicismo não tem fundo histórico, mas também que, como um mito, não é uma revelação divina.